Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011
Rádio Blogue: nomes próprios

 

Este final de semana revemos as opiniões de todos sobre a campanha para as eleições presidenciais...

 

Com Carla Hilário Quevedo e Filipa Paramés

6ªf, 28 de Janeiro- 10.35/ 19.35

Domingo, 30 de Janeiro- 18.35

 

Ao longo dos próximos dias queremos saber o que pensa sobre nomes próprios. Compreende os critérios para a admissão de vocábulos como nomes próprios? Até que ponto devem ser permitidos nomes inventados que desafiam a compreensão e a ortografia? Deixe a sua opinião através do 21.351.05.90, se preferir, até às 15h da próxima 5ªf. A crónica de Carla Hilário Quevedo é publicada aqui em parceria com o jornal Metro.

 

Nomes próprios

A decisão de dar a uma filha o nome Lyonce Viiktórya foi recebida pelo país com estupefacção. Luciana Abreu e Yannick Djaló, os pais da inocente, explicaram num comunicado que Lyonce resultava da «fusão entre Luciana e Yannick» e que Viiktórya representava um grito de revolta contra a maldade no mundo, etc. Uma fonte do Ministério da Justiça disse ao Correio da Manhã que «os nomes próprios estrangeiros são permitidos se algum dos progenitores do registando for estrangeiro ou tiver outra nacionalidade além da portuguesa». Sabemos que Djaló é natural da Guiné-Bissau. Mas Lyonce Viiktórya não é um nome estrangeiro. É só inventado. Recomendo, a propósito, uma consulta à lista de vocábulos admitidos e não admitidos como nomes próprios do Instituto dos Registos e do Notariado. Aí temos os nomes que foram motivo de consulta e despacho até Setembro do ano passado. Houve, por exemplo, quem tivesse consultado o Registo Civil sobre o nome Adonai para um filho. O nome foi aprovado. No entanto, Deus só é permitido como segundo nome, precedido da partícula «de». Já Deusa, Deusa Bela ou o vocábulo único Deusabela estão, graças ao Estado, fora de questão. Quase todos os nomes próprios que começam pela letra «k» foram recusados. E talvez por estar escrito com zê, Elizabete não foi aprovado. Joana do Mar, Laura do Mar e Maria do Mar são permitidos. Mas Maria Sol, não. Musa não. Ninfa, sim. Teresinha, sim. Rosinha, não. Salazar, sim. Fidel, não. Compreende os critérios para a admissão de vocábulos como nomes próprios? Até que ponto devem ser permitidos nomes inventados que desafiam a compreensão e a ortografia?



publicado por jazza-me
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Comentários:
De Rui Zink a 28 de Janeiro de 2011 às 18:15
Um dos meus prazeres quando um filme americano acaba é ficar a ver a ficha técnica. Muito mais inventiva do que os nomes das personagens. E porquê? Porque a América é um país de imigrantes onde todos os nomes são aceites como verosímeis porque as pessoas vieram de todo o lado. Em contrapartida, Portugal é um país pequeno, conservador e não tão aberto como gosta de parecer. Num ano em que quase falimos tecnicamente e vemos o Brasil dos nomes incríveis prosperar e "sair de baixo", vale a pena perguntar cadê o drama. Sai de baixo, gente!


De Herr Flick a 30 de Janeiro de 2011 às 18:19
Coitadas das crianças que, por capricho dos progenitores, têm de carregar este fardo para o qual não concorreram.


De Tâniia Weríssymonce Fanthástik a 1 de Fevereiro de 2011 às 15:20
Porque é que há nomes que são considerados fardos e outros não? Onde é que uma alegre Lyonce é mais fardo que uma angustiante Piedade ou Dores? E o que dizer do feminino arranjado à última Caetana? Porque é que Maria Albertina é menos fardo que Vanessa? Mas porque é que tem de haver estratificação até nos nomes próprios? A própria e preconceituosa lista de nomes indicada acusa um bocadinho este disparate, permitindo nomes muito parecidos com os que, ao mesmo tempo, proibe. Ora, quer-se dizer, por que raio? No que respeita à ortografia, o nosso abecedário vai, a partir de 2015, incluir o k, o y, o w. Porquê? Porque percebemos tudo à mesma. Portanto: free your mind, filhos, and the rest will follow; be first name blind, don't be so shallow. Ninfa Penélope ao poder!


De Rui Zink a 1 de Fevereiro de 2011 às 15:43
Eu voto na Ninfa Penélope. Até na Ninfa Penélope ao Poder das Dores Conceição Lima.


De Tâniia Weríssymonce Fanthástik a 1 de Fevereiro de 2011 às 19:03
Isso mesmo, sem Piedade.


De Deusabela Ziink a 1 de Fevereiro de 2011 às 16:55
O tempo passa e habituamo-nos a tudo. Até a Lyonce Viiktórya. Vão ver que na escola a rapariga fica logo Ly ou Lucy e está a andar.


De Vanda Lisa a 1 de Fevereiro de 2011 às 18:02
Até pessoas chamadas Vanessa Floribela se têm rido do meu nome na minha cara. Mesmo assim, acho a lista totó, nomeadamente por falta de coerência editorial, i.e., por não cultivar nenhum gosto por nomes em especial. O único sentido que isto faria era se Portugal fosse um país conhecido por só ter nomes razoáveis, um país ao qual as pessoas se deslocassem de propósito para serem baptizadas com selo de garantia no nome. Mas não existem países assim, nem listas assim, e por isso o que eu desejo é que haja muitas mais pessoas com nomes esquisitos, para o meu parecer mais normal. A título completamente excepcional, viva a Luciana Abreu.


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