O seu rosto é conhecido de todos, pela participação em programas de televisão: Paula Oliveira, uma das nossas belas vozes do jazz, tem um percurso marcado pelas parcerias com o pianista João Paulo Esteves da Silva, com quem gravou Quase Então (2003), e com o contrabaixista Bernardo Moreira, seu cúmplice em Lisboa que Adormece (2005) e em Fado Roubado (2007), dois trabalhos nos quais a cantora revisita repertório da canção portuguesa (Sérgio Godinho, Ary dos Santos, José Niza, Alain Oulman, Amélia Muge, Zeca Afonso).
Depois de estudos em Coimbra e em Lisboa, Paula Oliveira passou pela escola Taller de Musics, de Barcelona, e pela Manhattan School of Music, em Nova Iorque. Em 98 gravou, então, o seu primeiro disco, Paula Oliveira, com Paulinho Braga, David Fink e Clif Korman. Quanto aos discos de outros músicos, Both Sides Now, que Joni Mitchell gravou com Wayne Shorter, Peter Erskine, Herbie Hancock e Mark Isham, entre outros, em 1999, é o seu preferido.
No vídeo acima, Paula Oliveira canta Zeca Afonso acompanhada por Leo Tardin, João Moreira, Bernardo Moreira e Bruno Pedroso.
Com Betânia Valente e Andreia Lago
2ª a 6ªf- 9.45/ 16.45/ 19.20
Dexter Gordon no Royal Roost, N.Y., 1948 (foto de Herman Leonard)
"(Lester Young) was my ideal. Ever since I first heard him he appealed to me greatly. So I tried to emulate him in all ways—holding the horn up, the metal mouthpiece. Anything Lester did was beautiful. That was it. I felt everything he played. Whatever he had to say really got through to me. I tried to learn some of his solos. I never really tried to learn too much from copying the record note by note. I did that a little, but mostly what I tried to get from him was the conception that he had of playing the tenor. That’s what I wanted to grasp."
Dexter Gordon, imortalizado no filme Round Midnight de Bertrand Tavernier, é um dos saxofonistas a quem o jazz moderno deve muito. Influenciado por Lester Young e Illinois Jacquet, marcante para Sonny Rollins e John Coltrane, por sua vez, Gordon tinha um som rico e vibrante. Go, o disco que gravou para a Blue Note em Agosto de 1962, antes de partir para uma estadia de 15 anos na Europa, era o seu disco favorito- incluía Cheese Cake, uma das mais célebres composições do saxofonista, num álbum tocado ainda por Sonny Clark, Butch Warren e Billy Higgins.
Com Betânia Valente e Andreia Lago
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É um marco na história do jazz e na história da música do século 20, como disse Herbie Hancock: Kind of Blue foi gravado em duas sessões, a 2 de Março e a 22 de Abril de 1959, em Nova Iorque, e é hoje tido como o disco que representa a própria essência do jazz. Em volta de Miles Davis, nas gravações de Kind of Blue, estavam os pianistas Wynton Kelly e Bill Evans, John Coltrane, em sax tenor, Julian Cannonball Adderley, em sax alto, o contrabaixista Paul Chambers e o baterista Jimmy Cobb. Os 50 anos de Kind of Blue têm vindo a ser celebrados desde 2008, com a reedição do álbum numa caixa de 3 discos, a 30 de Setembro último, e hoje recordamos o trompetista numa gravação de Abril de 1959, com John Coltrane, Wynton Kelly, Paul Chambers, Jimmy Cobb e alguns músicos da orquestra de Gil Evans em So What.
Com Betânia Valente e Andreia Lago
2ª a 6ª- 9.45/ 16.45/ 19.20
Tem uma carreira que já ultrapassou os 50 anos e que acompanhou a história do jazz: Sonny Rollins começou por tocar piano, adoptou depois o saxofone alto e finalmente mudou para o saxofone tenor que tanto o identifica.
Nasceu e cresceu no Harlem, onde era assíduo frequentador dos cinemas do bairro e de onde retirou grande parte da sua inspiração musical. As canções de compositores como Jerome Kern para filmes como Swing Time, com Fred Astaire e Ginger Rogers, ficaram-lhe na memória ao longo dos anos e aparecem frequentemente na discografia do saxofonista. A outra fonte de inspiração de Rollins encontra-se na rádio, que ouvia todos os dias, enquanto jovem. Das centenas de canções que tem nas pontas dos dedos, Sonny Rollins tem feito um percurso marcado pela força expressiva do seu tenor e pela improvisação harmónica.
Da história da sua vida são bem conhecidas as colaborações com J.J. Johnson e Bud Powell, nos primeiros anos, com Miles Davis e Thelonious Monk na década de 50, e o seu papel no 5teto de Clifford Brown e Max Roach.
A partir daí, e enquanto líder, gravou Saxophone Colossus (56), Way Out West e outros 6 discos só no ano de 57- que foi também o ano em que inaugurou o trio de saxofone, contrabaixo e bateria- e afirmou-se como compositor- Oleo, St. Thomas, Doxy ou Airegin são hoje standards do jazz. Os períodos sabáticos do saxofonista são hoje também histórias célebres do jazz, sobretudo os 3 anos (59- 62) em que, descontente com a sua forma de tocar, interrompeu toda a actividade de concertos e gravações, para praticar, horas a fio, debaixo da Williamsburg Bridge, em Nova Iorque.
Com mais de 100 discos gravados, Rollins continua a compôr e a tocar, e o seu disco de estúdio mais recente, Sonny, Please, foi lançado em 2006.
No vídeo acima, o clássico 52nd Street Theme, de Monk, é abordado em 4teto, em 1963, para a televisão italiana, com Sonny Rollins, Don Cherry (trompete), Henry Grimes (contrabaixo) e Billy Higgins (bateria)- o mesmo grupo que gravou Our Man in Jazz (em 62 e 63).
Com Betânia Valente e Andreia Lago
2ª a 6ªf- 9.50/ 16.45/ 19.20
Sábado- 17.15
Domingo- 18. 15
É um dos standards mais gravados na história do jazz e sua simplicidade é enganadora, como o são, na sua maioria, as composições de Thelonious Monk: 'Round Midnight terá sido escrito por volta de 1936 ou 37, tinha o pianista os seus 18 anos, mas a primeira gravação do tema, ainda com o seu título original, 'Round About Midnight, pertence- por insistência de Bud Powell- à orquestra de Cootie Williams, em 1944. A interpretação do próprio Monk ficaria registada apenas 3 anos mais tarde, a 21 de Novembro de 1947, e a versão vocal surgiria na voz do cantor Jackie Paris, em 49, com letra de Bernie Hanighen.
Em 1955, 'Round Midnight ganha uma projecção absolutamente notável no Newport Jazz Festival, com a interpretação de Miles Davis e o seu primeiro 5teto, num concerto que marcava o regresso de Miles aos palcos, depois de um período problemático, e que dava a conhecer ao grande público o som da trompete com surdina que para sempre lhe ficaria associado. A composição de Monk seria, de resto, um dos temas mais tocados por Miles Davis a quem o pianista gostava de dizer que "estava quase lá, mas ainda não sabia tocar bem o standard".
Na década de 60, o cantor Babs Gonzales, habitual colaborador de Jimmy Smith, assinava uma nova versão vocal do clássico de Monk, com letra sua, que viria a ser gravada também, por exemplo, por Betty Carter.
Em 1986, 'Round Midnight deu também nome ao filme do francês Bertrand Tavernier que evocava a era do be-bop a partir do livro Dance of the Infidels: A Portrait of Bud Powell, de Francis Paudras. Na banda-sonora, dirigida por Herbie Hancock, é Bobby McFerrin quem dá voz ao tema de Monk.
Dois vídeos para o final do dia: o 4teto deThelonious Monk ao vivo na Noruega, em 1966, com Charlie Rouse (sax tenor), Larry Gales (contrabaixo) e Ben Riley (bateria), em cima, e Ella Fiztgerald, no Reino Unido, em 1961, com Oscar Peterson (piano), Ray Brown (contrabaixo) e Ed Thigpen (bateria), abaixo.
Com Betânia Valente e Andreia Lago
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Sábado- 17.15
Domingo- 18. 15
Primeiro foi o rock, depois o jazz. Desde que se formou na escola de jazz do Hot Clube e na Berklee College of Music, o guitarrista André Fernandes não tem parado: o seu nome aparece em Ao Paredes Confesso, de Bernardo Moreira, em Nine Stories de Nelson Cascais, This Life de Mário Franco, Tender Trap e Story Teller, de Marta Hugon, em Outside the Pyramid, de Rocky Marsiano, em Portology, da Big Band de Lee Konitz com a Orquestra de Jazz de Matosinhos, e nos recentes Água (Carlos Martins) e Flick Music (Laurent Filipe), entre outros. Criou a sua própria editora, Tone of a Pitch, através da qual deu a conhecer as suas composições e arranjos- que encontramos nos discos O Osso, Howler, Timbuktu (inspirado no livro de Paul Auster) e Cubo-, para além do trabalho de muitos outros músicos.
No Dicionário do Jazz ficamos também a saber que, ainda criança, assistiu a muitos concertos do Cascais Jazz... embora, por vezes, adormecesse. E que o seu disco de eleição, o tal que levaria para uma ilha deserta, "porque tem tudo", é The Köln Concert de Keith Jarrett.
O vídeo acima foi feito com fotografias de Yiannis Pavlis para Perto, original do guitarrista no álbum Cubo (2007), em 4teto com Mário Laginha, Nelson Cascais e Alexandre Frazão.
Com Betânia Valente e Andreia Lago
2ª a 6ªf.- 9.50/ 16.45/ 19.20
Sábado- 17.15
Domingo- 18.15
O trompetista Hugo Alves começou cedo a trilhar os caminhos do jazz: com 12 anos já partilhava o palco com músicos profissionais. O estudo, sob a batuta do contrabaixista Zé Eduardo, e com diversos músicos norte-americanos que orientaram workshops, no Algarve, foram os (inevitáveis) passos seguintes. O primeiro disco, Estranha Natureza, foi editado em 2003, o segundo, Given Soul, em 2007, e, pelo meio, o trompetista fundou a Orquestra de Jazz de Lagos. Freddie Hubbard e Lee Morgan são algumas das suas maiores referências, no trompete, e a sua redescoberta discográfica dos últimos tempos é o clássico Clifford Brown at Basin Street. Diz-nos que gostaria de ter testemunhado a revolução do be bop mas tem dúvidas de que Charlie Parker o deixasse tocar consigo. Como ainda não é possível viajar no tempo aproveitamos o tempo que nos cabe e assistimos a um momento do concerto dos Special Quartet, em Janeiro deste ano, com o novíssimo repertório do álbum Namouche, com participações do saxofonista Perico Sambeat e Hugo Alves na trompete.
Com Betânia Valente e Andreia Lago
2ª a 6ªf.- 9.50/ 16.45/ 19.20
Sábado- 17.15
Domingo- 18.15
Nem só dos clássicos vive o Dicionário do Jazz. Os músicos portugueses também têm sido convidados a falar, na primeira pessoa, do que os move, na arte e na vida.
O pianista Júlio Resende, por exemplo, que ouvimos esta semana, conta que queria ser astrofísico- mas o seu brinquedo favorito, aos 4 anos, era já o piano. E entre outras coisas ficamos a saber, também, que o disco The Melody at Night, with You, de Keith Jarrett, o seu músico de eleição, é "pura beleza".
Wise Up, no vídeo acima, com imagens de Gonzalo Garcia de Viedma, é um original da norte-americana Aimee Mann, que Júlio Resende gravou no seu primeiro álbum, Da Alma (2007), com Alexandra Grimal (sax tenor), João Custódio (contrabaixo) e João Lobo (bateria).
Com Betânia Valente e Andreia Lago
2ª a 6ªf.- 9.50/ 16.45/ 19.20
Sábado- 17.15
Domingo- 18.15
Jazz de jasm, ou espírito e energia, jazz do francês jaser, ou conversar animadamente, jazz de Jazbo Brown, um músico negro itinerante, e ainda jazz de jass, como na frase "Jass it up boy, give us some more jass!", que alguns pares entusiasmados exclamavam, quando a dança ao som do dixieland chegava ao fim, segundo um artigo de 1937.
A etimologia da palavra não é clara e são muitas as sugestões, até hoje, quanto à origem do termo jazz. O que sabemos com toda a certeza é que Livery Stable Blues é o primeiro disco de jazz gravado, e editado em Fevereiro de 1917, pelo colectivo Original Dixieland Jazz Band.
Com Betânia Valente e Andreia Lago
2ª a 6ªf- 9.50/ 16.45/ 19.25
2ª a 6ª- 12.15/ 17.15/ 20.15
Sábado-14.15/ 17.15
Domingo-12.10/ 18.15
2ª a 6ª- 12.15/ 17.15/ 20.15
Sábado-14.15/ 17.15
Domingo-12.10/ 18.15
Tambores, pratos, baquetas, bombos, tarolas e muito mais. B de Bateria é a entrada da semana no Dicionário do Jazz. E entretanto vemos a arte do baterista norte-americano Ari Hoenig, ao vivo em Nova Iorque em 2004, com Jean-Michel Pilc (piano), Jacques Schwarz-Bart (sax tenor) e Matt Penman (contrabaixo), num original de Hoenig, The Painter.
Com Betânia Valente e Andreia Lago
2ª a 6ª- 12.15/ 17.15/ 20.15
Sábado-14.15/ 17.15
Domingo-12.10/ 18.15
Esta semana recordamos Max Roach, um músico pioneiro do bebop, com Charlie Parker, fundador de um 5teto célebre com Clifford Brown, compositor de We Insist!- Freedom Now Suite, gravada em 1960, quando o movimento pela igualdade de direitos, nos Estados Unidos, estava ao rubro, baterista no album Money Jungle, com Duke Ellington e Charles Mingus, e em vários discos em duo, com Anthony Braxton e Cecil Taylor, entre outros, autor de música para peças de Sam Shepard. Um dos maiores bateristas da história do jazz e que desapareceu a 16 de Agosto deste ano.
O video acima é um duo histórico com Dizzy Gillespie, gravado em 1989, no Festival Banlieues Bleues (França).
Com Betânia Valente e Andreia Lago
2ª a 6ª- 12.15/ 17.15/ 20.15
Sábado-14.15/ 17.15
Domingo-12.10/ 18.15
Em criança gostava mais de jogar baseball do que estudar piano. Mas o piano acabou por vencer (ou a insistência do pai). Esta semana abrimos o dicionário em O de Oscar. Oscar Peterson, claro, o pianista canadiano. Vídeo de um concerto no Festival de Montreux, Suíça, em 1977, e em trio, com Ray Brown e Niels Pedersen.
Com Betânia Valente e Andreia Lago
2ª a 6ª- 12.15/ 17.15/ 20.15

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