Domingo, 18 de Maio de 2008
Rádio Blog: Violência Doméstica

 

O tema é importante e diz-nos respeito a todos. Queremos ouvir a sua opinião sobre a Violência Doméstica através do 21.351.05.90, ou por escrito, mais abaixo. O texto, de Carla Hilário Quevedo, é uma parceria com o jornal Meia Hora.

 

Violência doméstica

Nos primeiros quatro meses deste ano, 28 mulheres foram vítimas de tentativa de homícidio, dezassete morreram e onze estão em estado grave. É com este pano de fundo que o Bastonário da Ordem dos Advogados defendeu que a violência doméstica não deve ser crime público, provocando a indignação de associações, nomeadamente da APAV. Não ser crime público significava que a vítima podia desistir da queixa contra o agressor durante o processo. Ora, sabendo que as vítimas de violência doméstica são na sua grande maioria mulheres, se esta sugestão fosse aceite, esta seria uma alteração que as desprotegeria ainda mais, dando-lhes mais uma possibilidade de consentir um acto infame. Se existem limites na vida, este é um deles. Ninguém é livre ao ponto de escolher ser maltratado, abusado e violentado por ninguém, nem pelo cônjuge. As vítimas de violência doméstica, impotentes face a um agressor que misteriosamente amam, são vulneráveis e frágeis. São vítimas reais e, como tal, devem ser protegidas e bem tratadas, não encorajadas a renunciar de uma decisão já de si tomada com dificuldade. O que leva estas mulheres a não denunciar os maridos? O ditado "entre marido e mulher não metas a colher" ainda é respeitado em Portugal? A violência doméstica deve continuar a ser um crime público?

 

Dê-nos a sua opinião através do 21.351.05.90 ou mais abaixo.

Na próxima 6ªf ouvimos todos os comentários.



publicado por jazza-me
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Comentários:
De Monica a 19 de Maio de 2008 às 14:11
Certamente que a violência doméstica deve continuar a ser crime público! Trata-se de uma vitória tão recente na defesa dos direitos das mulheres, que voltar atrás seria quase um regresso à idade da Pedra lascada! É o medo, esse veneno, que impede as mulheres ( e os homens também, e os idosos de ambos os sexos, e as crianças, porque violência doméstica não é sinónimo de violência sobre mulheres!) de recorrer à justiça para livrar-se do seu(a) carrasco(a).
Já agora, na minha opinião, algo mais tem de mudar na forma como a justiça lida com a violência doméstica- porque razão são as vitimas, mulheres e crianças, a ser obrigadas a abandonar as suas casas, escolas e trabalho, para fugir ao agressor, que continua a ter uma vida perfeitamente normal ( enquanto mulher e filhos vivem em autêntica clandestinidade) ?!


De Ana M a 21 de Maio de 2008 às 12:23
Concordo plenamente com a Mónica.
Há como se sabe também uma enorme dependência emocional associada à violência doméstica. Não só este crime deve continuar a ser publico como os agredidos deviam ser muito mais protegidos pelo estado e não o inverso.


De Tânia V. a 21 de Maio de 2008 às 16:59
E eu concordo completamente com a Mónica e com a Ana: a violência doméstica deve continuar a ser crime público e os agredidos deviam ser muito mais protegidos pelo estado. E pela polícia: daquilo que tenho ouvido, é também muito difícil conseguir obter protecção prévia ao desastre; é quase preciso estar morto. O que não facilita. Relativamente aos que não denunciam, creio existir, aliado ao medo, também, nalguns casos, uma esperança mórbido-romantica (de que tudo vai ficar bem e parar um dia, per se).


De Carlos a 22 de Maio de 2008 às 16:59
A questão é bastante complexa. Implica que a sociedade civil se envolva mais. Temos o complexo do tempo dos "bufos", antes do 25 de Abril, e agora ainda que saibamos que algo se passa fechamo-nos em copas e dizemos: o problema é deles!
Esperemos que as coisas melhorem. A mim parece-me que a violência doméstica não tem tendência a aumentar, o que acontece é que apesar de tudo hoje ela denuncia-se e antigamente não chegava ao conhecimento das auroridades.


De anónima a 22 de Maio de 2008 às 23:31
Sofro violência doméstica há 7 anos, desde que me casei- namorei 11 anos com o meu actual marido. Durante o namoro era um príncipe, mal tive a minha filha, tornou-se no meu torturador predilecto. Perante as outras pessoas parece um gentleman, perante mim é um ser manipulador, materialista, calculista, mau, mesquinho, que gosta de humilhar e pisar. Os familiares dele, principalmente a mãe, foram também meus carrascos. Até ao outro dia, a violência era sobretudo psicológica: ameaças, chantagens (a principal era a de que me tirava a minha filha, pois ele ganha mais do que eu e tem um emprego seguro) emocionais e materiais, humilhações, ofensas com palavrões. Habituei-me ao medo, ao pânico, a pagar com humilhações quadruplicadas qualquer ajuda para que eu pudesse avançar um bocadinho com a minha vida profissional. Sempre que tinha de entregar um trabalho ou tinha algum momento mais importante sempre me tentou destruí-lo- fingiam ajudar-me para depois me tiraraem o tapete debaixo dos pés mesmo em cima do acontecimento.
Ele é uma pessoa muito reservada, parece muito calmo, mas quando explode mete medo- diz coisas horríveis e tem gestos tresloucados. A primeira vez que teve um desses momentos, era a minha filha ainda bebé, deu um murro no prato que até salpicou sangue no tecto da cozinha- fiquei aterrorizada. Da segunda, deu um murro na parede mesmo ao lado da minha cara; da terceira, puxou-me os cabelos com violência. Da última, muito recentemente, agrediu-me e enquanto me agredia e eu lhe dizia que não lhe admitia mais agressões, ele dizia-me- mas não está a acontecer nada, és uma mentirosa...Parecia um psicopata.
Mas, eu, pela primeira vez, chamei a polícia, fiz queixa- quando os polícias chegaram parecia um santo...Fui ao hospital- deixou-me marcas no corpo.

Querem saber por que fiquei com este homem, com este monstro? Primeiro, porque amava a imagem que construí dele (fui-lhe fiel durante 18 anos); 2º por pânico- ele e a família estavam-me constantemente a ameaçar tirar-me a minha filha por questões materiais; 3º porque vi que para sair do ciclo maldito, da armadilha em que me meti, tinha de ter uma vida profissional mais estável e que eles me arrasariam psicologica e até fisicamente falando, mal me tentasse libertar; 4º porque pensei que era melhor para a minha filha ter uma família junta.

Errei, sofri demais, agora, só quero paz e poder olhar-me ao espelho e dizer: sou um ser humano, tenho o direito de defender a minha vida e a minha dignidade, mereço, pelo menos, viver em harmonia. O medo? Ainda o tenho- o pai dele é uma pessoa muito violenta, a mãe tem problemas mentais. Ele é o que se tem revelado há 7 anos.
Mas o Amor pela minha filha fala mais forte e a minha vontade de ser novamente um ser livre, sem medo, leva-me a lutar com unhas e dentes contra este grupo de feras.


De anónima a 23 de Maio de 2008 às 11:05
estranho...estive a ouvir o programa sobre violência doméstica e nem uma palavra sobre o meu testemunho...afinal o silêncio não é só apanágio da apatia da vizinhança...os discursos teóricos são lindos, de facto, o pior é quando alguém os exemplifica com dados concretos...fiquei muito desapontada...afinal, a verbalização do tabu que era o meu é só uma falácia...


De jazza-me a 23 de Maio de 2008 às 11:52
Cara Sra. ,
Provavelmente por nossa culpa ( o spot não é claro no que diz respeito aos horários) os comentários que entram no programa têm de chegar aqui até às 17h00 de quinta feira. O programa foi editado ontem pelas 17h30, como sabe o seu comentário ainda não estava lá, mas pela importância do mesmo desde já lhe garanto que falaremos dele na próxima edição, fica aqui prometido. Não pense que pelo teor do seu comentário não o íamos mencionar, isso nunca!
Já sabe portanto que na próxima semana ouvirá um comentário da Carla Quevedo ao que nos escreveu.
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Cara Sra. , <BR>Provavelmente por nossa culpa ( o spot não é claro no que diz respeito aos horários) os comentários que entram no programa têm de chegar aqui até às 17h00 de quinta feira. O programa foi editado ontem pelas 17h30, como sabe o seu comentário ainda não estava lá, mas pela importância do mesmo desde já lhe garanto que falaremos dele na próxima edição, fica aqui prometido. Não pense que pelo teor do seu comentário não o íamos mencionar, isso nunca! <BR>Já sabe portanto que na próxima semana ouvirá um comentário da Carla Quevedo ao que nos escreveu. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>~Muito</A> obrigada <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Jazza-me</A>


De anónima a 23 de Maio de 2008 às 12:58
compreendo perfeitamente...desculpem-me, pensei que foss mais uma daquelas atitudes que nos rodeiam todos os dias, a nós, a quem tem de sofrer calado, porque ninguém nos dá legitimidade para fazermos valer a nossa voz...e quando o fazemos parece que somos nós as criminosas, as leprosas, parece que têm medo de nós, desprezam-nos pela nossa dor, quando em consciência nos deveriam ajudar. Fingem que não vêem para não se aborrecerem com os problemas dos outros, lavam a consciência com um encolher de ombros e, por vezes, até coadjuvam o agressor, que é o super-homem, quem tem o chicote na mão.
Muito obrigada, o meu único propósito foi de que se falasse do assunto na perspectiva de se ter consciência que nós não somos nenhumas masoquistas- as pressões, as chantagens, as ameaças mais ou menos explícitas, as agressões são de tal forma que o medo tolhe-nos e como...e habituamo-nos a viver no medo, que passa a ser quase a nossa almofada...Cobardes? Não , não somos- pelo contrário- muitas vezes sacrificamos o nosso bem-estar psicológico, a nossa uto-estima, o nosso auto-respeito, pelos filhos, pelos pais, para não lhes dar um desgosto....

Muito obrigada....


De Jazza-me a 23 de Maio de 2008 às 14:54
Se por acaso nos quiser contactar por email pode fazer isso para acosta@radioeuropa.fm
É o meu endereço pessoal.
Cumprimentos,
Antonieta Lopes da Costa


De VANESSA GOIS ANTUNES a 5 de Fevereiro de 2009 às 05:16
Fui vítima de violência doméstica por 16 anos, a agressora foi a mulher que me registrou ou seja minha genitora, fui violentada fisicamente, psicológicamente e explorada domésticamente diariamente, ela me obrigou a matar animais e roubar junto a ela (qdo fui flagrada ela me abandonou no local sozinha, eu tinha 8 a), naquela época não sabia dos meus direitos e não contava com o apoio dos familiares, ela teve diversos amantes, e compulsoriamente eu compactuava com os encontros, era obrigada a conhecê-los e agradá-los, mandar recados p os encontros e manter sigilo pois ela é casada, etc. O resultado desses traumas foram terríveis na minha vida pois abandonei os estudos, tive uma gravidez precoce p ter um lugar p morar pois não aguentava mais tanta tortura, fui moradora de rua, dependente química, explorada sexualmente, tentei o suicídio por diversas vezes... faço tratamento psiquiátrico há 04 anos, psicoterapêutico e até uma rinoplastia fiz p não lembrar do rosto do suposto pai que não é o mesmo que me registrou. Hoje luto judicialmente por danos morais e físicos causados por tudo isso. Peço uma orientação dos canais existentes de reparação de todo esse prejuízo causado na trajetória de minha vida e luta pelo combate dessa violência, moro em Santos , São Paulo, meu email é :
vanessinha.unisantos@hotmail.com

Obrigada por lerem, peço uma orientação, dos canais existentes onde eu possa reivindicar os meus direitos, não é justo que os agressores continuem impunes e continuando a cometer os mesmos crimes, este eh um caso verídico, tenho provas dos terríveis resultados desse abandono e privação de afeto e amor.



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