Segunda-feira, 14 de Julho de 2008
Rádio Blog: Imigração e Minorias

    Imagens do documentário Lisboetas de Sérgio Tréfaut, 2004

 

Esta semana, no Rádio Blog, discutimos a questão da imigração e das minorias étnicas. O texto, de Carla Hilário Quevedo, é publicado aqui, em parceria com o jornal Meia Hora. Deixe a sua opinião mais abaixo ou através do 21.351.05.90.

 

Imigração e minorias

Os recentes confrontos violentos na Quinta da Fonte, em Loures, chamaram a atenção das pessoas para o estado de tensão social em que ali se vive. O bairro foi construído para acolher famílias desalojadas pela construção dos acessos à Expo 98, contando com cerca de 2500 residentes de diferentes etnias. O conflito com armas de fogo que aconteceu na quinta e na sexta-feira parecia estar a acontecer numa cidade norte-americana um pouco deserta, talvez numa favela brasileira ou ainda num filme de acção, mas não no nosso jardim à beira-mar plantado, muito menos às portas da capital. O Presidente da Junta de Freguesia da Apelação esclarece que "nos últimos anos (os moradores) têm solicitado à Câmara alternativas noutros locais. Os moradores da etnia cigana são os que mais pedem, mas a Câmara não pode, porque não tem casas para lhes dar". Os desacatos sucedem-se, os gangues disparam e os moradores inocentes não podem contar com policiamento nas ruas. O processo de realojamento terá ignorado rivalidades históricas entre etnias, obrigando inimigos de sempre a coabitar. Levados a sair dos países de origem por causa da guerra, muitos imigrantes não encontram a paz em Portugal. Como é que o nosso país trata os imigrantes? Como evitar os conflitos entre as minorias?

 

Dê-nos a sua opinião através do 21.351.05.90 ou aqui mesmo, até 5ªf, 17 de Julho, às 17h.



publicado por jazza-me
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Comentários:
De Monica a 14 de Julho de 2008 às 17:37
Bom ... para começar, parece-me haver 2 questões aqui misturadas: imigração e bairros sociais. No caso do Bairro da Fonte, temos aparentemente conflitos graves entre imigrantes de origem africana, e ciganos (que não são imigrantes ...). Não conheço o contexto, mas arriscaria dizer que os conflitos terão mais a ver com eventuais negócios ilícitos, do que questões étnicas ou de imigração ... Ou seja, as minorias entram em conflito não por que são minorias, por que são concorrentes ...
De facto, a política de realojamento parece ter ignorado as dinâmicas dos bairros : por vezes populações de bairros "inimigos" são agrupadas num mesmo local, agravando as rivalidades e potenciando lutas territoriais. Será possível, nesta fase, baralhar e tornar a dar?
A solução terá também de passar por um maior esforço na integração dessas populações, e de uma política dura contra aqueles que não cumpram a lei.


De Caminho a 15 de Julho de 2008 às 13:30
Saírem ciganos para o bairro ficar com uma maioria de africanos não me parece que seja uma solução. Nunca deveriam ter feito um bairro tão grande que leva tanta gente quanto a freguesia da Apelação. Esta freguesia, antes de terem feito o bairro, era uma terreola, é verdade, em que as pessoas cuidavam das suas quintas nas horas vagas, onde tinham bons poços, onde haviam 2 cafés no máximo e um supermercado. Aquele bairro foi "vendido" aos habitantes como sendo de cooperativa. Posto isto, houve muita gente que comprou em construção, muito baratos, bem como estabelecimentos comerciais. Hoje em dia, aqueles que não tiveram a sorte de vender as casas de habitação/comércio, hoje têm de andar com uma atenção redobrada nas ruas, ter atenção ás janelas, portas de entrada dos prédios. Os comerciantes (os únicos resistentes desde o princípio são dois) ainda perduram, e porquê? Pq tb eles se endividdaram para ter um pequeno negócio no que prometia ser apenas mais um bairro de cooperativa. Por isso um café, por exemplo, fecha ás 7 da tarde pq falta segurança. Ou abre às 8 da manhã pq os "meninos" inúteis que por lá andam, andam em festas durante toda a noite e é para o bairro que vêm despejar as frustrações de não serem ninguém nem quererem ser. Toda a gente que more na Apelação já foi assaltado ou conhece alguém que já o foi. Os grupos impram em todas as esquinas, sempre atentos ao pessoal que pertence, ou não, ao bairro. E é muito fácil detectar isso. O problema já foi os ciganos. Hoje em dia já não são. E estes agora querem aproveitar-se de uma situação e "chular" mais uma casa à câmara. Querem direitos? Deêm-lhes obrigações! Tb lá moro na Apelação e o que me prende lá são pessoas de quem gosto e que tento proteger. Infelizmente não temos a "lata" de ir pedinchar uma casa para a frente da Câmara.


De Filipa Moura a 16 de Julho de 2008 às 21:29
Acho engraçado estes bairros problemáticos terem nomes bonitinhos: "Quinta da Fonte", Quinta da Luz", "Quinta dos Anjos", etc. É para ver se, com nomes quase utópicos, as coisas na prática funcionam.
Estou de acordo com o/a Caminho. Parece-me óbvio que juntar ao molhe etnias diferentes num descampado enorme tornado habitável não é de todo uma ideia brilhante. Aliás só um idiota é que acha que não vão haver conflitos! Integrar não é amontoar ou despejar a um canto aquilo que não se quer ver ou lidar diariamente.
Quanto aos imigrantes que vêm cá parar, não me parece que sejam bem recebidos. Mas neste país ninguém é bem tratado. Faz parte da bandeira nacional. A começar pelas pessoas que passam uma vida a trabalhar e recebem pensões de miséria. Claro que há depois o oposto: etnias que nunca descontaram para a Seg Soc., que se recusam a trabalhar com vidas de rei com "direito" a casa e tudo...
Como sempre, há aqui uma politica totalmente desafinada e surreal.


De Caminho a 30 de Julho de 2008 às 16:58
O nome "Quinta da Fonte" é o nome original. Pois é uma zona de quintas. Como há lá perto a Quinta da Ramada e a Quinta dos Fartos. Muitas delas ainda conservam as casas senhoriais, destinos de férias para muitos fidalgos do século XVIII


De Mota a 16 de Fevereiro de 2009 às 09:25
É evidente que o poder Central do estado tem culpas tal como todos os cidadãos residentes nesses locais.
No entanto as autarquias, as juntas de freguesias as associações de imigrantes e representativas dessas minorias, as associações de bairro, a segurança social e a própria entidade policial, não estão isentos de culpa pela não promoção de condições sociais de integração dignas, pela paz e harmonia entre todos e fomentar a multiculturalidade.
O estado português deu alojamento digno a todos, assiste-se é a indivíduos que aproveitando os desígnios da raça ou das minorias não prezam nem a paz nem estão interessados na sua integração social nem dos seus filhos, nem mostram interesse na sua formação profissional ou dignidade e tolerância pelos outros. Aparentemente muitos estão armados isto só mostra o desprezo que tem pelos outros e o desinteresse pela dita integração social. Muitos são nascidos e criados em Portugal, eles próprios é que se discriminam pelos seus padrões de comportamento desviantes, e pela técnica de intimidação em grupo. Existem rivalidades entre os grupos e estão armados isto revela que o seu comportamento está contra a sociedade e tem comportamentos criminosos, tem que ser detidos e presentes a processo judicial por a legislação em vigor não o permitir.
Já é tempo de as minorias terem comportamentos dignos e desejarem trabalhar com o poder central, através dos seus representantes de modo a que se esbatam as diferenças se integrem de uma vez, de modo a que quem está em Portugal tenha orgulho de ser português.



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