Domingo, 28 de Setembro de 2008
Rádio Blog: o Magalhães

 

O Magalhães, o primeiro computador portátil fabricado em Portugal, é notícia por estes dias e tema de discussão no Rádio Blog, em parceria com o jornal Meia Hora. O texto de Carla Hilário Quevedo pode ser comentado mais abaixo ou através do 21.351.05.90 até às 17h da próxima 5ªf, 2 de Outubro.

 

O Magalhães

Qualquer criança, da mais sôfrega à mais indiferente, quer ter um Magalhães. Porque é um computador portátil maneirinho e muito giro. E porque é condição da natureza infantil ser alheia a questões de interesse dos adultos como se houve ou não um concurso público para seleccionar a empresa que fabricou o dito computador; o erro publicitário de que as suas peças seriam exclusivamente portuguesas; ou ainda se o acesso à Internet é ou não limitado e por quem. Nada disso interessa aos miúdos, porque o Magalhães é um presente muito giro. O objectivo desta oferta, no entanto, é apresentado como o mais nobre: as crianças vão passar a utilizar o computador como uma ferramenta de trabalho, tanto na escola como em casa. Pais, professores e alunos estarão de volta do portátil durante um tempo para que todos saibam como funciona e como podem tirar o máximo partido das suas funcionalidades. Mas eis que surge o problema deste belo presente: a expectativa de que esta democratização informática vai melhorar a aprendizagem de todos. Não será esta ideia demasiado optimista? Ou o computador portátil pode fazer milagres nos casos de alunos apáticos e desinteressados? Mas não será também próprio das crianças porem de parte os presentes giros mal percebem como funcionam? O que pensa do Magalhães?



publicado por jazza-me
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Comentários:
De JS a 29 de Setembro de 2008 às 10:42
Para além de ser uma excelente peça de propaganda dos socialistas convém saber:

- o acesso que esta ferramenta permite à sociedade de informação só é possível com o acesso pago à net. Estarão as famílias portuguesas em condições de suportar esse custo?

- O Magalhães é realmente um pc com software adequado às necessidades e grau de desenvolvimento das nossas crianças ou não passa de um portátil feito para o terceiro mundo como anunciava a empresa que o produz?

- Quem paga o Magalhães? O Governo afirma que são as operadoras de comunicaçãoes. Na «Quadratura do Círculo» Lopo Xavier, ligado profissionalmente à Optimus, desmestiu tal coisa. De onde vem o dinheiro?

- Porque não exisitiu um concurso público para uma compra deste valor e magnitude?

- Está a empresa em condições de distribuir os computadores no prazo eleitoral fixado por Sócrates?


De Manuel B. a 29 de Setembro de 2008 às 15:57
é com estas e outras manobras de propaganda que o Sr. Eng. Sócrates quer salvar a face da Ministra de Educação tentando fazer-nos esquecer o bordel em que se transformou o Ensino em Portugal.

Isto não passa de mais uma manobra como outras do género que já se fizeram em Portugal e que os os portuguese não souberam os resultados práticos. Porque aqui ninguém escrutina nada. Gasta-se o dinheiro e acabou...


De Rui Zink a 29 de Setembro de 2008 às 16:48
É uma ideia um bocado bacoca, sim. E saloiamente fascinada com a tecnologia. Por outro lado, se algumas crianças podem ter um computador barato, isso parece-me bom. O facto de uma iniciativa ser saloia não quer dizer que seja má. Caramba, ter um computador não faz de nós melhores. Mas também não comecem para aí a dizer que faz de nós piores. Qualquer dia estão a dizer que se estão a abrir antecedentes perigosos ao deixar as crianças nascerem com mãozinhas, porque as podem usar para tirar macacos do nariz ou fazer graffitis nos muros... Neste caso, tiro o meu chapéu (de burro) ao governo. Há medidas claramente más -- esta não é uma delas. Só não percebo porque o portátil se chama Magalhães e não Sócrates. Tanta modéstia não augura nada de bom.


De Simplesmente Maria a 29 de Setembro de 2008 às 17:15
O Sócrates oferece uma caneta do século xxi e o povinho fica todo embasbacado... eu até vou fazer um naperon para colocar em cima do meu quando a filhota o trouxer para casa... mas, pasme-se que o embascamento não é só popular... também chegou aos tiranos caudilhistas, grandes amigos do nosso José, como aquele que não nos larga a porta. Por qué no te vás?

Com Magalhães e bolos...


De O jansenista a 30 de Setembro de 2008 às 09:45
O nome é agoirento, porque o Magallanes a que se alude não terminou a sua empresa e acabou da forma mais estúpida e brutal. Tudo indica que houve, desta feita, negociatas, favores, locupletamentos, plágios, as confusões costumeiras. O computador em causa é limitado, acho-o feio.
E no entanto, este ou outro aparecem para operar um pequeno e suave milagre. Basta-me que haja uma criança que, passando a ter o seu computador, através dele vai ser incluída nesta maré da revolução informática. Pode mesmo a sua «info-alfabetização» não ser mais do que precária ou incipiente. Mas estou a ver os olhos brilhantes, crédulos, fascinados, a seguir a interacção que os dedinhos papudos vão comandando no teclado, a descoberta, a descoberta, o fascínio.
Um computador barato é uma chave mais fácil para sairmos do círculo paroquial da nossa ignorância e da nossa dependência. A grande esperança que nos resta é a de que as crianças de hoje saibam sair daqui de forma mais rápida, mais ágil, e sobretudo mais completa do que conseguiram fazê-lo as gerações que as precederam. Por um milagre da tecnologia isso já não implica deslocação física, mas apenas umas centenas de euros, uma «alfabetização» simpática, e mais ou menos intuitiva, e uma conexão à rede.
Os adultos que se lambuzem na ganhuça com o Magalhães - são como Judas a contar as moedas debaixo da forca, não é deles já que trata o futuro, ficarão como um pequeno borrão dentro da marcha imparável.


De FRD a 30 de Setembro de 2008 às 10:48
O Magalhães tem defeitos que começam no nome e acabam no design que dá ares de tupperware onde por um triz não se guarda o fiambre. Mas ficamos por aqui, porque tudo o que lhe está associado é estimulante e até bom. A ideia de um computador para e por cada criança é uma excelente ideia e nem sequer constitui novidade. Há anos que «a laptot per child» http://www.ted.com/index.php/talks/nicholas_negroponte_on_one_laptop_per_child.html é A campanha de Nicholas Negroponte que, conforme se sabe, não passa de doido varrido, fundador do MIT, essa instituição sem créditos firmados e vale esta ironia para explicar o óbvio: o computador é, hoje em dia, a mais poderosa ferramenta de aprendizagem que podemos e devemos ter. Mas, o computador, horror dos horrores, ligado à Internet, é ainda diabolizado sob todas as formas e feitios mesmo que com o mau feitio do Magalhães, mas que importa isso? Nada. A qualquer um parece ridículo questionar o lápis a tal ponto o incorporámos, assim será com o computador que é uma ferramenta, é uma ferramenta, é uma ferramenta e meta-se isto na cabeça até porque se aqui chegámos, chegámos como? O que empobrece as sociedades é a incapacidade para aprender, sem aprender a economia não se torna flexível, tudo fica estático, rígido, frio, seco e a chave está onde? Está já aqui. Onde estamos agora. As coisas, estas coisas, nós, as crianças, tudo e todos vivemos dentro de sistemas que se ligam entre si e quanto mais ligados, melhor, quanto menos isolados, melhor, quanto mais trocas e até quanto mais tricas, melhor. As ideias, ou antes, certas ideias levam tempo a arranjar espaço dentro do espaço disponível, das resistências naturais mas nada que não se entranhe. É da física!

Fátima Rolo Duarte


De Isabel a 30 de Setembro de 2008 às 14:52
... ou da química, querida Fátima. Mas contigo nunca se sabe até onde vai a ironia e se o meu comentário não passa por tolo.


Isabel


De Helena Miranda a 2 de Outubro de 2008 às 02:24
O Magalhães, como objecto de design, faz lembrar uma coisa entre uma lancheira e uma tostadeira daquelas que prensa o pão. Fora o facto de sugerir às crianças que contem comida no seu interior e de, para além disso, ter um apelido de pessoa, parece-me bem. Claro que é uma medida de propaganda do governo. E claro que dá logo vontade de baptizar o meu computador com um nome mais artístico. Viera da Silva ou assim.


De João Raimundo a 3 de Outubro de 2008 às 01:59
Caramba, quem tinha razão era o outro: “este é um povo que não se governa nem se deixa governar!”.
Mas por que raio temos esta tendência para a autofagia? …Ou passamos a vida a menorizarmo-nos ou a menorizar os que decidem , mesmo quando o fazem com a legitimidade que o voto “de todos” lhes conferiu.
Quanto ao Magalhães, porque não nos preocupamos com aquilo que realmente interessa:
• O dito, cujo nome que não é pior que Apple (maçã), por exemplo, chega e sobra para os objectivos e para o público a que se destina;
• É um computador de baixo custo acessível a todos e não apenas aos habitués de privilégios ;
• Pode ser um excelente meio de tornar os miúdos de hoje profissionais capazes amanhã… mais capazes, talvez, que tantos lançadores de “bocas” que para aí andam à solta!
Começo a estar cansado desta constante maledicência e suspeição! A cidadania activa não é gritar alto e o que nos vem à cabeça. Exige ponderação e responsabilidade… e, já agora, que não limitemos o nosso campo de visão a um palmo do nariz!


De Rui Zink a 6 de Outubro de 2008 às 10:29
Fosse o suicídio a única realidade portuguesa mascarada pelas estatísticas e seríamos o país mais transparente do mundo! Para mim, o suicídio divide-se em duas partes: o adolescente e o adulto. No caso dos adolescentes, trata-se em parte de não facilitar os instrumentos: a pulsão auto-destrutiva faz parte do crescimento. No caso dos adultos, sobretudo depois dos quarenta anos, bem, mais do que suicídio acho que se trata de assassínio: assassínio organizado por uma sociedade que faz as pessoas sentirem-se a mais. O aumento do desemprego sénior (entre os mais de 50 anos), da amputação afectiva (o divórcio é apenas a ponta do icebergue), da sensação de que se falhou a vida só fazem recear o pior. Ironicamente vivemos numa época de extremos: os jovens têm a sensação de que todas as entradas no sistema lhes estão tapadas pelos mais velhos; os mais velhos sentem que esta sociedade está toda virada para os jovens. No meio disto só uma cada vez mais pequena casta se sente, autista, confortavelmente bem na sua pele. E sem vontade nenhuma, nadinha, de se suicidar.


De Rui Zink a 6 de Outubro de 2008 às 10:30
PS) O que é pena.


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