De Nuno Miguel Guedes a 15 de Junho de 2009 às 19:19
O fenómeno é cíclico e conjuntural: quando o sistema parece de alguma forma dar sinais de caducidade, as franjas ressurgem, quer à esquerda quer à direita. Foi o que aconteceu agora:o radicalismo das vidas - desemprego, precariedade, fraco poder de compra - apela à radicalidade fácil das propostaspolíticas. Lembremo-nos de que a eleição democrática do partido Naciuonal Socialista de Hitler se deve ao suposto colapso do sistema liberal embrulhado num orgulho patriótico ferido pelo tratado de Versalhes (e neste ponto teriam razão:as condições para a rendição foram tão humilhantes para a Alemanha que os Aliados emendariam a mão em 1945)
Em termos do burgo, o Bloco de Esquerda é extrema-esquerda, por muito que se acondicione e tente domesticar os seus radicais já não tão livres (caso da Ruptura FER) porque cheira a poder. Mas Louçã há pouco reiterou a matriz a que pertence: saída da NATO, nacionalização dos sectores estratégicos da economia etc.
À extrema-direita portuguesa falta o que tem a francesa: propostas radicais têm de ter lideres com carisma. O individuo que se diz presidente da companhia por cá tem emana saloismo e incultura por todos os poros e desarticulação de discurso. O seu carisma é o de um par de peúgas a secar. Felizmente. Por isso, e por enquanto, as acções da extrema-direita são casos de polícia em ves de casos políticos.
Em países como a França é diferente: Le Pen surge de uma longa tradição que começa no sectarismo violento e imposto da Revolução Francesa. Tem muito de jacobinismo, e é sucedâneo de figuras como Sorel (que com o conceito de «mitos sociais» e o nacional-sindicalismo lançou as sementes que Mussolini aproveitou para a doutrina Fascista) ou Maurras, com o seu realismo absolutista e anti-parlamentar (que influenciou parte dos elementos do nosso Integralismo Lusitano). O problema de Le Pen é o seu carisma, que faz com que as mensagem mais hediondas como o negacionismo passem por verdades por um povo fragilizado (e subsidiário de uma tradição xenófoba e anti-semita, diga-se).
Só se pode combater esta gente com civilização, e com as armas que ela nos dá, sabendo que por vezes não é necessário respeitar os seus pontos de vista.



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