Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Rádio Blogue: A pobreza dos velhos

 

              (imagem daqui)                       (imagem daqui)

 

Neste final de semana ouvimos as opiniões de todos sobre as declarações de José Saramago, na sequência do lançamento do seu romance Caim.

 

Com Carla Hilário Quevedo e Antonieta Lopes da Costa

6ªf, 30 de Outubro- 10.35/ 19.35

Domingo, 1 de Novembro- 18.35

 

Nos próximos dias queremos ouvir os seus comentários à situação de pobreza dos idosos em Portugal. O texto que publicamos aqui, em parceria com o jornal Metro, é da autoria de Carla Hilário Quevedo. Pode dar-nos a sua opinião também para o 21.351.05.90 até às 16h da próxima 5ªf.

 

A pobreza dos velhos

Segundo um inquérito realizado pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO), há pelo menos 40 mil idosos em Portugal sem dinheiro para comer. Para 64% dos 3400 idosos inquiridos, com idade entre os 65 e os 79 anos, os problemas dentários, o preço dos alimentos, a falta de apetite e os medicamentos são apontados como os principais motivos para comer mal. Mais de um quinto dos inquiridos revelou ter problemas financeiros, razão pela qual muitas vezes optavam por uma alimentação menos saudável. A carne é por isso sempre preferida ao peixe, que é mais caro. Ainda de acordo com este estudo, cerca de 3% dos inquiridos declarou ter passado fome na semana anterior a responder às perguntas. Perante esta notícia pergunto se este não será um mero indicador de um cenário ainda mais negro que o apresentado no estudo. Portugal tem uma população envelhecida, excluída e pobre. À exclusão social e à pobreza juntam-se o isolamento em que tantas vezes estas pessoas vivem e que as deixa fora dos circuitos de inter-ajuda, que existem em pequenas localidades e até nalguns bairros das grandes cidades. A ajuda chegar até às pessoas é a única solução para estes casos. É preciso que o Estado assuma a sua responsabilidade nesta matéria e que os governantes percebam como se podem apoiar estes idosos. O voluntariado ajuda muito, sobretudo nestes casos extremos, mas um plano eficaz e lúcido de combate à pobreza deveria, na minha opinião, ser a prioridade do governo. O acesso gratuito dos idosos com baixos rendimentos aos medicamentos genéricos foi uma medida positiva da anterior legislatura. Uma boa iniciativa de solidariedade parece ser a entrega de produtos ao domicílio na freguesia de São Domingos de Benfica aos doentes com gripe A que vivem sozinhos. Restaurantes, talhos e farmácias encarregam-se de levar os produtos a casa dos doentes com a gripe contagiosa. As entregas não vão fazer aumentar o preço das refeições. O Estado deve intervir mais nos cuidados e na protecção dos idosos?



publicado por jazza-me
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Comentários:
De Rui Zink a 30 de Outubro de 2009 às 16:58
Não sei quem disse isto, mas parece-me uma evidência: o valor dum sistema social mede-se pelo modo como trata os mais fracos. Obviamente que gosto muito do provérbio "Se vires um pobre com fome não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar". A verdade é que ultimamente, sobretudo com a dificuldade dos licenciados em conseguirem emprego, os bónus dourados a incompetentes, a existência do dr. Dias Loureiro, o abandono dos idosos à miséria, o provérbio tem mostrado que, tal como a Bíblia, não pode ser levado à letra. Neste caso o pobre pode morrer de fome antes de conseguir dar uso à cana. Acho que o Estado tem uma responsabilidade directa no assunto. Os voluntários são fantásticos, mas são amadores - isto é, não se lhes pode pedir que o façam sistematicamente. A maioria são turistas, no bom sentido. Este é um daqueles casos em um governo devia dizer: "Olhem, é para isto que pagam impostos." Porque é maravilhoso que a sociedade civil se mobilize, mas não pode ser por aí. As guerras, sejam aos Talibans, sejam à fome, sejam às doenças, não podem depender de privados.


De Isolamento Acustico a 10 de Março de 2010 às 14:21
Nem mais! O governo tem que agir o mais rapido...


De Anónimo a 31 de Outubro de 2009 às 18:25
Há poucas coisas que partam o coração como ver idosos abandonados e entregues à sua sorte. Acredito que uma sociedade também se mede pela atitude que tem para com os desprotegidos- sejam os desalojados, os desempregados, os doentes ou os idosos. Nesse aspecto, em Portugal, há, felizmente, grande solidariedade e muitos voluntários que são, por vezes a única ajuda com que podem contar essas pessoas. Mas, e aqui concordo totalmente com Rui Zink, o voluntariado- turista ou não- não chega nem pode substituir o Estado. Obras públicas de desenvolvimento do país são precisas mas combater a exclusão social e a pobreza dos que contribuiram- muito ou pouco, poco interessa- para o país, devia ser uma prioridade do governo. No estado actual das coisas é ainda mais urgente tomar mais medidas.


De O Jansenista a 31 de Outubro de 2009 às 23:49
O problema da velhice é um problema individual que se converte num problema social que não deveria converter-se num problema político – se não existisse essa miopia colectiva que nos faz descontar desproporcionadamente a nossa própria velhice, se não houvesse problemas de descoordenação que tolhem os movimentos de solidariedade, e se não existissem os azares da fortuna que se conjugam para tornar algumas velhices em verdadeiras catástrofes.
Há uns anos um ex-boxeur, um mauzão e homem de muitas vidas (e todas nebulosas) resolveu tomar conta dos Alunos de Apolo – diziam as más-línguas que os ingressos facilitariam o branqueamento de algum dinheiro. Mas foi com ele que se generalizou, por todo um bairro envelhecido e empobrecido, a prática das refeições gratuitas. Quando se descobriu que alguns dos velhotes já não conseguiam subir as escadas para a sala de refeições primitiva, ele arrendou uma casa térrea por perto, na qual qualquer velhote, sem burocracia, sem devassa e sem alarido, consegue matar a fome.
O Mauzão não esteve à espera de ninguém, limitou-se a observar e terá dito a si mesmo que um dia podia acabar também assim. Não sei se houve lavagem de dinheiro – mas vejo frequentemente, num vaivém de sombras recurvadas, que houve vidas e dignidades salvas.


De Helena Miranda a 4 de Novembro de 2009 às 19:10
Antes de cada Inverno devia fazer-se um plano conjunto (população e governo) para evitar-se o frio e a fome entre os mais desfavorecidos e os mais idosos. É realmente triste vermos pessoas que sempre tiveram uma vida digna a acabarem os dias sem se poderem valer e com fome, ou velhos abandonados nos hospitais, na altura do Natal. Há uns 5 anos, conheci uma velhinha muito cuidada com cerca de 80 anos, a vender panos de cozinha na rua, porque a reforma não era suficiente e o marido tinha ficado subitamente doente. Aquilo meteu-me muita impressão, estava frio e ela não tinha agasalhos suficientes, embora não se queixasse de nada. Na altura perguntei-me se não deveria ter faltado ao emprego para ficar a vender os panos e ela poder ir só para casa, descansar, como deviam poder fazer todos os velhos. Este é um tema que move as pessoas, penso que todo o tipo e ajuda é válido.


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