Comentários:
De NightSoft a 5 de Março de 2010 às 10:18
Bom Blog!

Gostava que fizessem parte de um fórum que criei à pouco tempo! É um Fórum Generalista, registem-se e façam Parte dele: www.nightsoft.com.pt/forum

Desculpem a invasão;)

Obrigado!


De Rui Zink a 6 de Março de 2010 às 14:09
Sempre houve ambientes violentos nas escolas. Antigamente posso garantir que ainda era pior. E houve negligência. Como sei que houve negligência? Porque a criança morreu. Só em Portugal é que quando alguém morre todos dizem que fizeram "a coisa certa". Mas daí até encontrar responsáveis directos, à excepção dos rufias, vai um passo. Houve negligência, à portuguesa, que é o molemente "não querer chatices". Agradeçam também à anterior equipa da Educação, ao transformar os professores em burocratas com medo de "levantar ondas". Já agora, em vez de "bullies" porque não dizer simplesmente "RUFIAS"? Acho que a língua portuguesa anda a sofrer demasiado "bullying" e "bullshitting" por parte dos rendidos à bully língua inglesa...


De Maria Carvalho a 7 de Março de 2010 às 12:09
Concordo em absoluto com Carla Quevedo. Também me caiu o coração aos pés quando soube que os agressores estavam a receber acompanhamento psicológico.
E a mãe do miudo , que tantas vezes foi à escola tentar resolver o problema? E o irmão gémeo? E os amigos e outras crianças vítimas dos agressores? Também recebem apoio?
O sistema funcionou de forma absolutamente perversa, e perante a impossibilidade de resolução de uma situação que o fazia sofrer, e para a qual imaginariamente a criança não via saida , suicidou-se. Porque se a Escola tivesse atendido os pedidos da mãe, ou tivesse estado minimamente atenta, teria existido um ponto de fuga, uma solução.
Muitos outros casos existiram de indiferença total da instituição perante a agressão aos seus protegidos, a começar com o caso Casa Pia. Situações que nos arrepiam e horrorizam. E sim, a Casa Pia tem agora um programa de educação das crianças para que estejam alertas a um certo tipo de agressão.
Deve começara a haver formação em Bullying " das crianças e professores, para se precaverem destas situações e reagirem adequadamente.
E, por favor, acusem a Direcção da Escola, que no meu entender já se devia ter demitido.




De António F Fonseca a 7 de Março de 2010 às 15:36
Gostava de deixar alguns comentários porque me pareceu que houve aqui algumas leituras desajustadas deste caso impressionante:

1. Relativamente ao que diz a Carla Quevedo sobre " .. das fracas condições de vida destas pessoas, o que as leva a conviver mais de perto com a sua condição animal.. " não sei de onde foi tirar estas conclusões, não sei se as pessoas vivem em "fracas condições" que depreendendo económicas ou se são da categoria animal, para mim são muito humanas, podiam mesmo viver em bairros luxuosos na capital ou nos subúrbios, julgo que também há por cá disso, só que casos desses ainda não deram eventualmente em casos dramáticos como este. É quando rotulamos estes casos no reino animal que deixamos de os tratar com a responsabilidade que merecem.

2. Relativamente à questão levantada por Rui Zink sobre "bullying" vs "Rufias" parece-me que há aqui falta de um "insight" realmente mais apurado do que verdadeiramente está em causa.

3. Por ultimo queria dizer que concordo inteiramente com o comentário da Maria Carvalho sobre a demissão da direcção da escola. Seguindo o que foi comentado no caso da semana passada de facto de que estão à espera?. Eles e os miúdos e respectivas famílias que deveriam quanto antes ser expulsos da escola senão mesmo da comunidade?

PS: Reparei há dias num comentário assinado por um António F., aproveito a oportunidade de ressalvar que não feito por mim, daí ter preenchido o campo de email neste comentário à semelhança do que fiz na semana anterior.


De Carla Hilário Quevedo a 7 de Março de 2010 às 15:53
Caro António F. Fonseca, obrigada pelo seu comentário. Aproveito para esclarecer que me estou a referir a um tipo de desculpa frequente em casos de delinquência: a de que se trata de pessoas que vivem em más condições de vida e que por isso têm um comportamento violento ou criminoso. Esta é uma ideia feita (desculpabilizante) com a qual não posso concordar. Podem ser muitas as razões que levam alguém a ser violento. E ser pobre não é certamente uma delas. Bom domingo.


De ana bravo a 8 de Março de 2010 às 14:43
As questões acerca desta triste notícia do menino que se suicidou devem fazer reflectir em 2 aspectos:
1- o bullying é um fenómeno novo?
R: não. Mas a solução parece mais difícil hoje. Aqui há umas décadas, quando as famílias tinham mais filhos, haveria sempre um irmão mais velho das vítimas" que "dava uma lição" ao bully.
2 - Os bullies precisam de psicólogos? Não, geralmente não têm problemas psicológicos, são apenas MAUS e de MAU caracter e a família nem a escola os conseguiu "socializar".
Concluo que a nossa escola não consegue realizar as suas funções, nem sequer socializar ...por outro lado, a sociedade civil está desagregada, envelhecida, sem valores, as pessoas são indiferentes aos que sofrem, mesmo qdo são seus colegas, alunos, amigos......


De Morais a 9 de Março de 2010 às 12:58
A violência não é novidade. A guerra dos botões que se transforma noutra guerra não é ostentaçao desta época. Penso que sempre existiu. E talvez pior noutros tempos. Mas o que caracteriza este nosso período é a indiferença. O tal –désengagement- a desobrigação - do ser humano perante o seu semelhante. Se a mãe do Leandro foi queixar-se várias vezes , só tenho uma questão , onde estava o director, onde estavam os professores, por não estarem presentes a eles próprios , nas funções de director da escola, de educadores que eles são à escuta de uma mãe ? do desamparo de uma mãe ?
Por ricochete, a mesma pergunta, onde estavam os pais, desses mesmos rufias ? não me diga que até eles estariam também encolhidos atrás de um móvel com medo da progenitura por nunca terem sabido lhes dizer Não ?


De Dylan a 9 de Março de 2010 às 15:51
O caso de bullying ocorrido em Mirandela vem expor à saciedade a gravidade desta praga. O problema já ultrapassou os portões escolares para entranhar-se de uma forma asquerosa na vida social e no local de trabalho. Porque não estamos a falar apenas de uma obsessão pelo poder, da dominação sobre um indivíduo, mas de um agressor que ameaça tornar-se num potencial criminoso. Esta forma de intimidação pode ter tido origem dentro do ambiente familiar onde a educação infantil não foi devidamente acautelada. A escola de Mirandela foi a primeira a descartar-se, por isso, à semelhança do que aconteceu noutros países com casos semelhantes, deveria ser duramente responsabilizada, começando pelo autismo das chefias e reforçando a vigilância preventiva de todos os intervenientes do sistema educativo.


De Inês Lima a 9 de Março de 2010 às 16:40
Fosse eu socióloga e tendia a sentir-me ofendida pela alusão a "teorias mirabolantes”.
Quanto às questões que coloca, este caso não se passou por vivermos um presente substancialmente mais violento que o passado. Haverá no passado tragédias como esta. Acontece, a meu ver, não terem chegado aos jornais e demais veículos informativos.
Não obstante, parece-me evidente a negligência, por parte da comunidade – família, escola, amigos -, para com o sofrimento em que vivia o pequeno Leandro.


De Hélio Alves a 10 de Março de 2010 às 01:31
Sempre existiram lunáticos cujo objectivo de vida é humilharem os outros. São imbecis altamente inseguros, que dependem das fragilidades dos outros para se sentirem fortes mas que, por vezes, com dois berros ou duas chapadas na altura certa, deixam de chatear.
O facto dos professores se terem tornado burocratas, como aponta Rui Zink , e terem uma conduta muito mais "objectiva" e politicamente correcta, pode ser um dos motivos porque hoje em dia o bullying floresce nas escolas portuguesas. Devido ao estado de paranóia generalizado e à falta de vocação de muitos professores, a relação professor/aluno é, tendencialmente, mais distante. Ora, isso é uma auto-estrada para os alunos imbecis invadirem os alunos mais frágeis.


De Juan Goldín a 10 de Março de 2010 às 11:51
Odeio dizer: "antes isto não acontecia". Lembro-me de que puto "buliei" e fui "buleado". Este tipo de horrores sempre existiu, mas acho que não com o asanhamento e regozijo actual. Agora batem até magoar mesmo, até fazer sangue para poder filmar e passar na Internet um espectáculo o mais humilhante possível. Não quero dizer que antes éramos melhores; éramos igualmente cobardes e irresponsáveis, mas tínhamos, acho eu, uma noção mais clara do limite. Ou se calhar os nossos pais sabiam pôr os limites de forma mais clara. Obviamente que uns dos grandes culpados nisto são os pais das crianças. Um bom estalo a tempo pode evitar um possível buleador. Com isto não quero dizer que estou a favor de pais buleadores, mas sou totalmente contra os hiper-permissivos, que repreendem os filhos em voz baixa.

Concordo totalmente com a Carla que a pobreza não é justificação nenhuma para um comportamento violento ou criminoso. Aliás, está mais que provado ao longo da história que os mais violentos e mais criminosos fomos sempre os ricos!


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