Em final de semana ouvimos os comentários que nos chegaram nos últimos dias sobre o bullying nas escolas.
Foram criadas duas novas secções no recuperado Conselho Nacional de Cultura: artes e tauromaquia. O anúncio está a suscitar polémica, não por causa da secção das artes, mas por a bizarra secção de tauromaquia. A Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, afirmou que «[a] tauromaquia existe e movimenta 650 mil espectadores. É nossa obrigação cumprir a lei e a lei diz que temos que a regular». A existência da secção é justificada porque a tauromaquia é uma das áreas que faz parte das competências do Ministério da Cultura e está sob a alçada da Inspecção Geral das Actividades Culturais (IGAC). Garantir, por exemplo, a segurança dos espectáculos artísticos é uma das suas competências. Encontramos o primeiro problema, talvez o mais superficial, nestas declarações da Ministra da Cultura. Se a função do Ministério da Cultura se esgota no cumprimento de leis, e não inclui suscitar perguntas quanto ao que se entende por «espectáculo artístico», então este é um organismo do Estado supérfluo. Se a burocracia fala mais alto na Cultura, será mais que suficiente um departamento ou mesmo um pequeno gabinete que trate da papelada. O segundo problema, bastante mais sério, é o sofrimento dos animais. Se considerarmos que um espectáculo artístico pode consistir em infligir sofrimento em animais para gáudio de um certo número de pessoas, então por que razão havemos de excluir da regulamentação as lutas de cães, por exemplo? Se o interesse do público e a receita da bilheteira são o mais importante não há como defender que as touradas são boas e as lutas de cães são más. Mesmo que as últimas, apesar de existirem, sejam ilegais. Há procura daí a oferta. Não interessa, portanto, o que se está a oferecer. Para os 650 mil consumidores de touradas em Portugal, Gabriela Canavilhas é uma óptima Ministra da Cultura. Elogiada pelo crítico de tauromaquia do Correio da Manhã, Gabriela Canavilhas depressa passou a Gabriela ‘Bandarilhas’ por defensores do direito dos touros a serem deixados em paz. As touradas devem ser proibidas? Se não, porque não?
É espantoso que o dinheiro do contribuinte sirva para arranjar uns "tachos" para quem defende espectáculos medievais bárbaros. Provável promessa eleitoral encapotada. Bom, até já vimos criar "excepções" legislativas para justificar actos bárbaros deste tipo, como a de Barrancos.
E é espantoso também, eu lembrar-me quando a Canavilhas era comentadora nas manhãs da Antena 2, demonstrava que tinha uma vasta cultura musical e eu tinha uma opinião favorável dela. Voltou-se a página, um verdadeiro lobo em pele de cordeiro...
Touradas, só suporto as que os nossos compatriotas fazem na Califórnia, onde os maus tratos são proibidos e não se brinca com a lei como cá. Com fitas velcro no touro e tudo trajado a rigor. Violência nenhuma, provavelmente todos se divertem, até o touro.
Ah, também gosto daquelas vacadas em Santarém em que metem voluntários numa pista, sentados em mesas, passam as vacas e marram-lhe!
Será que a ministra não é voluntária para uma dessas para ver quanto dói?
Eu gostava de assistir...
P.S.
Srª Ministra, vai uma marrada? :-)
Entenda-se, para quem não o entendeu ainda, que estou a usar o imaginário jocoso para tentar falar a sério, não tendo qualquer intenção de efectuar qualquer ataque pessoal à figura da Srª Ministra, pela qual, como já referi, tenho como melómano que sou grande consideração. Apenas acho que a criação da dita comissão foi uma grande asneira, mesmo que se tivesse de lidar com a questão deveria ser nos bastidores, para não ferir susceptibilidades de nenhum dos lados.
A rir por vezes se dizem grandes verdades...
De Ana Paiva a 12 de Março de 2010 às 18:39
Relativamente a esta questão e depois de ler as declarações da Sra Ministra, acho lamentável estar-se a discutir uma questão quando o que se deveria discutir era a própria abolição das touradas . O mundo é feito de mudança, a ambição da corrente humanista foi o de olharmos o mundo e vermos o que podemos mudar para melhor, onde erramos e corrigir. Agora, quando, ainda em pleno século XXI, num país inserido na União Europeia, de 1º mundo, dito civilizado, pratica actos bárbaros sem nenhum objectivo a não ser o de matar e de alguma forma elevar o ego de quem não o consegue fazer de outra forma. O que eu pergunto é: que valores estamos a transmitir às gerações futuras? Que morte e tortura afinal é espectáculo?
De Rogério Paulo a 13 de Março de 2010 às 13:11
Não se pode ser pianista e ministra da cultura ao mesmo tempo. Começa logo por aí.
Intrigante, caro...A resonância da caixa do piano, de resto grande problema quando se pretende efectuar uma captação correcta do mesmo em espaço confinado, também distorce as vozes discordantes?
De O Jansenista a 13 de Março de 2010 às 19:13
Já o disse há uns dias no meu blogue, o país já tem Ministra da Cultura, precisa agora de um Ministro da Civilização. O bullfighting e o bullying podem ser frutos lídimos de uma cultura; são uma nódoa para qualquer civilização.
Dito isto, porque ando numa onda de total condescendência, deixem a Senhora em paz, não é dela a culpa de termos uma cultura tão incivilizada.
De Anónimo a 17 de Março de 2010 às 21:04
Mas porque é que este País cada vez mais usa anglicismos (ex. suspeição) ou palavras inglesas (bullfighting, bullying, bullshit ;-) ), Vocês nunca ouviram falar de termos como suspeita, tourada, perseguição? Os políticos então são como as bestas. Olhe, era a isto que a ministra se devia dedicar, porra, eu sou Português, e Português quer dizer que falo a língua de Camões, sou moderno sem gostar de abortos e paneleiros, como sou moderno não gosto de touradas e tenho uma enorme vontade de fazer andar isto para a frente, só que alguns indígenas corruptos e incompetentes tem de sair do caminho.
Tal como anunciado, o Ministério da Cultura, na pessoa da Ministra Gabriela Canavilhas, criou "mais" uma secção dedicada à tauromaquia. Note-se que o Presidente desta secção é o Inspector-Geral das Actividades Culturais, o que não é muito chocante, visto que a anterior Inspectora-Geral era assumidamente aficionada das touradas, e não fazia esforço algum para disfarçar a sua falta de neutralidade. Seguindo esta linha de coerência do Governo, e dada a questionável isenção dos seus agentes, não parece assim tão descabido imaginar um matador de touros e um forcado no lugar de Secretários de Estado da Cultura, passando o Ministério da Cultura a chamar-se Ministério da Tortura. Desta forma, a pouca-vergonha que já está instalada passaria a ser oficial.
As sociedades modernas tendem a tornar-se cada vez mais civilizadas, abolindo, gradualmente, práticas medievais que as envergonham perante si próprias e perante o mundo, e cujo lugar deve apenas pertencer ao passado. Independentemente dos prazeres pessoais de cada cidadão, que, obviamente, tem todo o direito de apreciar o que quer que aprecie, embora, em casos como o que está em apreço, estes devam ser guardados para si, ou, eventualmente, e consoante os casos, ser alvo de análise psiquiátrica, o facto é que, a sociedade não pode, nem deve, a bem da evolução civilizacional e moral, considerar aceitáveis, muito menos oficializar, práticas que impliquem a exploração e/ou sofrimento de quem não se pode representar a si próprio nem escolher participar nelas.
Em pleno século XXI chega a ser ofensivo discutir-se o sofrimento dos outros animais (que não os humanos), como se a ciência não estivesse já evoluída ao ponto de recusar a ideia bacoca de que a capacidade de experienciar dor, angústia e/ou sofrimento deve somente ser atribuída aos animais-humanos. Introduzir esse tópico na discussão acerca da eventual legitimidade da existência de espectáculos sanguinários é uma manobra de diversão, muito usada por parte dos que defendem tais práticas, embora, na verdade, já nem esses acreditem em tal despautério, embora, pela total falta de argumentos para defender o sadismo que os caracteriza, continuem a insistir no dito argumento falacioso. Uma outra manobra de diversão vastamente utilizada é, a de que, sem a indústria que dá vida, tortura, e de seguida, morte (ou reciclagem, dada a crise), a espécie (???) do touro bravo (???), esta extinguir-se-á. Portanto, de acordo com este pressuposto, o que está aqui em causa afinal é a salvação através da tortura… Pois bem, não fosse esta última ideia absurda quanto bastasse, há ainda por esclarecer por parte da indústria em causa, que ramo da Biologia caracteriza o touro como uma espécie, e, já agora, que ecossistema é que depende desta. Obviamente que, na eventualidade de se quererem manter estes animais (que não são mais do que bois não castrados e seleccionados de acordo com as características preferidas dos que destes beneficiam financeiramente), não seria, obviamente, através das touradas. Seria perfeitamente possível manter estes animais em regime de santuário, protegendo-os. Apenas em jeito de nota de rodapé, extinguir uma espécie, sub-espécie, ou agrupamento de animais, não significa exterminá-los.
Lamentavelmente, nem sempre o que é considerado legal (do ponto de vista do Direito) é moralmente admissível. O Direito tende a acompanhar o progresso das civilizações, contudo, não é sempre justo. O facto de determinada actividade estar dentro dos termos da Lei, não faz, por si só, com que ela seja obrigatoriamente aceitável do ponto de vista ético. A História tem-nos mostrado inúmeros bárbaros costumes, que estavam perfeitamente legalizados, e que se foram tornando ilegais, à medida que fomos evoluindo intelectual e moralmente.
Infelizmente, as vítimas da tauromaquia (caso que aqui se analisa) são silenciosas; não podem falar do que sentem, e, assim, comprovar a veracidade dos argumentos dos seus defensores. Todavia, os referidos defensores podem, e devem, fazê-lo.
E termino dizendo: se a tourada é cultura, canibalismo é gastronomia.
De J P Brandão a 14 de Março de 2010 às 23:31
Mania de proibir tudo aquilo que não gostam.
Deixem em paz os aficionados, chamem-lhe os nomes que quiserem, mas não proíbam as corridas de touros. De proibição em proibição cairemos rapidamente no admirável mundo novo ou no mundo do 1984 - Georg Orwell
De
JjS a 16 de Março de 2010 às 14:35
Eu não gosto de touradas. Detesto os valores a elas associados, dos quais a questão da tortura ao bicho é uma entre várias, mas sou contra qualquer tentativa proibicionista. É de facto uma cultura, mas de tão obsoleta e retrógada acabará por cair por si. Basta não ir lá e não ligar.
O que não me agrada é que os meios públicos apoiem, gastem dinheiro e façam divulgação da coisa.
De
Rititi a 15 de Março de 2010 às 12:17
Independentemente das consideraçoes pessoais e éticas, as touradas nao estao proibidas em Portugal, nao sao uma actividade ilícita, nem ilegal. E por isso devem estar legisladas, com normas específicas que regulem cada uma das especificaçoes deste festejo (o que nao acontece com as lutas de caes ou galos, que sim sao ilegais). Que parte da populaçao se questione a ética deste tipo de espectáculos nao faz dele um acto ilegal. Isto por um lado.
Assim sendo, faz todo o sentido que seja o Ministerio da Cultura quem se encarregue do espectáculo tauromáquico, que como bem deve imaginar a autora, move milhoes de euros anuais, além de dar trabalho a milhares de pessoas e permitir (por muito que lhe doa ao movimento antituarino ) a manutençao de ecossistema rico e único na Europa. Aliás, quanto mais regulada estiver a Festa maiores serao as garantias para todos os participantes, incluídos os animais. A pergunta deveria ser: PORQUE SE DEVERIAM PROIBIR AS TOURADAS (e nao ao contrário)? 650.000 aficionados (número que me parece bastante inferior aos fornecidos pelas empresas organizadoras dos festejos), duas centenas de anos, um sentimento de aprovaçao geral da populaçao (basta com assistir a qualquer festa de carácter popular pelo nosso Portugal), literaura específica, postos de trabalho nao chegam? E os animais sofrem? Depende. Se a morte fosse no ruedo , instantanea , soferiam a metade.
Nem Portugal é só Lisboa, nem a tradiçao se reduz num grupo de forcados abetalhados incapazes de raciocinar mais além da beleza da Festa. Outra coisa sao os valores, a evoluçao das nossas relaçoes com os animas (gostava de dizer que um touro nao é um cao , enfim) e da incapacidade total da nossa sociedade actual para entender um espectáculo que envolve dor, sofrimento e morte. Se se quer debatir sobre as touradas exijo um argumento sério, profundo, mais além do sofrimento do animal.
De Joana Ramos a 16 de Março de 2010 às 01:37
As touradas são espectáculos muito pouco artísticos. E até é bom que o público seja particularmente insensível (etc), para conseguir gozar tudo a que tem direito.
Sou aficionado, gosto de touradas, mas independentemente disso, há que nos congratularmos todos com o que se chama "por ordem na casa", regular melhor e garantir que aspectos importantes são salvaguardados, que haverá ponderação e reflexão, sobre um assunto que foi, é e será polémico.
Nem toda a gente gosta de touradas, é natural, diria que o contrário é que seria estranho, não conheço nenhum tema de apoio universal, e mesmo os que disso são apelidados, na realidade têm sempre alguém do outro lado.
O que digo também é que independentemente de gostos, convicções, ou dos mais quentes apelos aos direitos dos animais, as pessoas não podem cegar, não devem bloquear a sua capacidade de visão global, limitar-se a uma quente manifestação de repúdio, acabando por dar um tiro no próprio pé.
Esta secção há muito que estava programada, não é uma invenção da Senhora Ministra, é sim, uma aplicação tardia do que há muito devia ter sido feito. Não é por ser defensor da festa que o digo, mas porque esta secção como disse, vem colocar ordem na casa e acabar com muita coisa que me escuso de aqui dizer, mas que na verdade é um caminho que a todos deve deixar contentes, inclusive aos defensores dos animais, que tanto apregoam e tão pouco conhecem!
As touradas são e serão um espectáculo legal, ignora-las é sinal de pouca inteligência, legislar e "obrigar" a que as coisas sejam bem feitas é o mínimo obrigatório para bem de qualquer uma das facções, por isso deixo aqui um claro apoio à Senhora Ministra pela capacidade de concretizar uma antiga ideia que peca apenas por tardia, de obrigar a que o que se faça, seja bem feito, certo de que qualquer português, a favor ou contra as touradas, se for inteligente e capaz de avaliar a dimensão desta iniciativa, lhe agradecerá.
De
JjS a 16 de Março de 2010 às 14:24
Acho bem. Com essa justificação, há razões para criar também uma secção dedicada aos bares de alterne. Existem e estou a crer que movimentam mais gente que as touradas e, suponho eu, o strip tease é considerado uma arte.
De Marylin Cow a 16 de Março de 2010 às 18:23
Para mim é uma verdadeira arte, concordo em absoluto!
De zedaburra a 16 de Março de 2010 às 22:05
Ora aí está alguém sensato. E como quando passa um programa de strip na tv ha 6 milhões de espectadores potenciais, então o strip é o favorito, e aqui o zé não perde pitada
. E quando passa a propaganda partidária, é o mesmo, inté o PS tem a mesma percentagem que o MRPP, pois todos teem uma clientela alvo de 6 milhões. Para quando uma secção de strip? Hein? Vamos a isso, já! 
De elhombre nuevo a 16 de Março de 2010 às 23:02
Hola Portugueses!
Es imprescindible también una sección de drogas, por supuesto es la próxima tradición a transponer, entonces hay que las reglar! Yo soy un voluntario!
Saludos tropicales
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