Sexta-feira, 23 de Julho de 2010
Rádio Blogue: Muros e contentores

Bairro das Pedreiras, Beja (imagens daqui e daqui)

 

Em final de semana recuperamos os comentários às boleias partilhadas...

 

Com Carla Hilário Quevedo e Antonieta Lopes da Costa

6ªf, 23 de Julho- 10.35/ 19.35

Domingo, 25 de Julho- 18.35

 

Nos próximos dias queremos saber o que pensa da construção do muro em volta do Bairro das Pedreiras, em Beja. O texto tem a assinatura de Carla Hilário Quevedo e é publicado aqui em parceria com o jornal Metro. Se preferir, pode dar-nos a sua opinião através do 21. 351. 05. 90, até às 16h da próxima 5ªf.

 

Muros e contentores

No ano passado apareceu a ideia revolucionária na escola básica de Lagoa Negra, em Barcelos, de separar 17 crianças de etnia cigana dos restantes alunos. O projecto considerado pela responsável da DREN como sendo de «discriminação positiva» deu muito que falar na altura. O projecto foi contestado pelos partidos de esquerda e por muitos comentadores porque se baseava numa ideia de segregação. Apesar das dificuldades de integração destas crianças, não as integrar numa sala de aula normal poderia levar a um afastamento ainda maior da comunidade. Sem contestar a bondade das intenções, a ideia era pouco clara, além de não garantir uma maior aprendizagem por parte dos alunos «excluídos», ou numa linguagem mais politicamente correcta, «protegidos». Surge agora uma nova polémica com a comunidade cigana no Bairro das Pedreiras, em Beja. O problema é antigo mas volta a estar na ordem do dia por causa de uma queixa em Bruxelas por parte de uma organização não-governamental que acusa a Câmara de Beja de segregar a comunidade. O muro de betão construído em torno do bairro e as condições «deploráveis» em que estas pessoas vivem mereceram a atenção do bispo de Beja. D. Vitalino Dantas acusa os responsáveis governamentais de terem arranjado uma solução «muito primária e feita a correr» para realojar uma comunidade que vivia num bairro de lata. Também a alta-comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rosário Farmhouse, manifestou o seu desagrado quanto à existência do muro, dizendo que «todas as soluções que acabem na criação de guetos não são soluções felizes». As razões para a construção do muro de betão foram dadas pela ex-vereadora da Câmara de Beja. A segurança dos moradores terá sido o motivo principal para tão polémica construção. Maria Manuel Coelho terá explicado numa carta ao Público que o muro foi construído para proteger as pessoas «da circulação intensa de camiões na estrada que passava junto às casas». O Estado português tem legitimidade para segregar pessoas? Os vizinhos toleram as comunidades de difícil integração, desde que vivam em guetos? Como se soluciona este problema?



publicado por jazza-me
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Comentários:
De Rui Zink a 25 de Julho de 2010 às 01:30
Portugal, país triste. Até aqui tudo bem. Mas país traste? Nunca pensei. Sempre gostei do meu Portugal, país velho rico, país velho pobre. Agora descubro uma coisa envergonhosa : país novo rico e, em breve em todas as salas do país, país novo pobre. É patético. E teria graça, se não tivesse raça. Foi-se o G, foi-se a Graça. Viva a ciganada! Viva o povo cigano! Viva quem vive! Viva quem sabe viver!


De Kássia Kiss a 25 de Julho de 2010 às 12:17
Sim, sim, o politicamente correcto... Agora, não se «excluem» ou «segregam» pessoas, apenas se «protegem»! Já diz o ditado: de boas intenções...

Além disso, pensei que a Europa já chegara à conclusão que a construção de muros é contra-producente. Ou será esta uma medida para ajudar a enfrentar a crise? Daqui a uns anos, quando o muro for destruído, poder-se-á ganhar bom dinheiro a vender os cacos? Mas só se o muro de Beja chegar a ser tão famoso como o de Berlim!


De tstopps a 26 de Julho de 2010 às 02:22
todos segregamos e em tempos de crise
os muros crescem e abarcam o mundo


De Alice C. Brod a 27 de Julho de 2010 às 20:56
Muitos estudos sobre bairros sociais têm sido feitos, nomeadamente no nosso país, e chega-se sempre à conclusão que criar guetos não é a solução. Pensava mesmo que este problema já estava ultrapassado, mas pelos vistos Beja prefere ignorar o óbvio.
Há bairros sociais exemplares no meio das cidades, como é o caso do da Lapa ou do de Aldoar, ambos no Porto, onde actualmente as classes média e média/alta também habitam, graças à qualidade arquitectónica dos edifícios e a um planeamento urbano exemplar.
Já o projecto de Beja deve ter sido inspirado na Cova da Moura. E é uma vergonha alguém dizer que é da Cova da Moura, com essa morada nem sequer se arranja emprego. Nem os táxis entram lá dentro. E por mais amor que os mais bairristas tenham a esse gueto ilegal, quem consegue mudar de zona, sai sem hesitar. Um gueto é uma zona à margem da lei comum e dos outros. É inumano, nesse sentido, e nunca pode ter boas consequências. Tanto faz se é construído “legal” ou ilegalmente. A construção legal de um gueto parece, aliás, um paradoxo, nos dias que correm. Se calhar devíamos perguntar aos políticos de Beja como é que é isso possível. Enfim. Uma vergonha.


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