Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010
Rádio Blogue: crise e presidenciais

Cavaco Silva, Manuel Alegre

 

Este fim-de-semana recuperamos várias opiniões sobre privacidade e liberdade de expressão...

 

com Carla Hilário Quevedo e Antonieta Lopes da Costa

6ªf, 29 de Outubro- 10.35/ 19.35

Domingo, 31 de Outubro- 18.35

 

Nos próximos dias queremos saber o que pensa da crise e das eleições para a Presidência da República. A crónica de Carla Hilário Quevedo é publicada também, esta 6ªf, no jornal Metro. Deixe o seu comentário, se preferir, através do 21.351.05.90, até às 16h da próxima 5ªf.

 

Crise e presidenciais

O anúncio da recandidatura de Cavaco Silva à Presidência da República aconteceu a 26 de Outubro, pelas oito da noite, no Centro Cultural de Belém, tal como Marcelo Rebelo de Sousa noticiara no Jornal Nacional. Embora a candidatura de Cavaco Silva não tenha apanhado ninguém de surpresa, o discurso que apresentou esteve longe do que seria esperado, até por o actual Presidente ter falado durante mais tempo do que é habitual. Cavaco Silva tem dois pontos a seu favor, que o destacam em larga medida dos seus oponentes: um é precisamente a gestão hábil do silêncio ao longo dos anos, e o outro – o mais importante e que faz dele o vencedor provável destas eleições – a empatia que tem com as pessoas. Por isso, perguntas retóricas sobre o valor da sua intervenção discreta em momentos de dificuldade da governação ou promessas incaracterísticas de uma «magistratura activa» que a própria natureza do cargo não permite serem cumpridas, não favoreceram aquele que podia ter sido um começo de campanha irrepreensível. Mas não percamos de vista o aspecto positivo do seu discurso. Cavaco Silva anunciou que fará uma campanha contida nas despesas e que, por isso, não irá recorrer a «outdoors». Para compensar a ausência de cartazes nas ruas, o candidato aposta no site oficial e nas redes sociais, como o Facebook, o Twitter e o YouTube, entre outras. A utilização das redes sociais noutras eleições não é novidade, mas o anúncio de que a despesa total da campanha não ultrapassará metade do valor permitido por lei é bom. Segundo noticia o Correio da Manhã, «enquanto Cavaco Silva prevê gastar cerca de 2,1 milhões de euros, Manuel Alegre, o candidato apoiado pelo PS e BE, estima despesas de perto de 1,6 milhões de euros». A reacção do único que até agora colocou «outdoors», não se fez esperar. Alegre acusou Cavaco de ser «populista e demagógico» e lembrou que nas últimas eleições poupado foi ele que gastou 849 mil euros. É preciso perguntar a Manuel Alegre o que o leva a gastar o dobro desta vez. A difícil situação financeira do país vai ajudar a moralizar as campanhas políticas? A poupança e a honestidade podem ser consequências inesperadas da crise?



publicado por jazza-me
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Comentários:
De Margarida a 29 de Outubro de 2010 às 22:31
AhahaPoupança? honestidade?? De quem?
Repare, Carla: Manuel Alegre foi poupadinho nas últimas eleições porque se apresentou como candidato independente, apenas isso. Se calhar era interessante comparar esses números com os números do agora candidato independente Fernando Nobre.
Alegre agora tem uma máquina (aliás duas, com o BE e PS) de marketing por trás desta campanha semi-imposta.
Engraçado o poeta lembrar-se de quanto gastou em campanha independente e não se lembrar dos mais de cinco mil euros de reforma que ganha. Pelo menos foi o que disse, quando confrontado pelos jornalistas.

E deixe-me que lhe diga que os excessivos silêncios do PR ajudaram imenso ao arrastar da situação lamentável e degradante do país. Não tem de fazer oposição - até porque não lhe compete enquanto PR - mas, caramba, um papel mais activo era simpático. Até o Sampaio fez mais só a distribuir medalhas...
Aposto que o Cavaco quando ganhar a sua reacção vai ser: "Ah.. bom , agora não é altura nem o momento para comentar a minha vitória enquanto Presidente da República". Tenham dó! Postura igual foi a da MFerreira Leite enquanto líder da oposição que teve milhões de oportunidades para reagir, de fazer oposição, de bater com mão na mesa e não permitir a palhaçada de governação deste PS, e o permanente gozo de Sócrates, e não aproveitou umazinha que fosse! Já o Passos coelho merece um Tony Award pelos teatros que faz.
I-na-cre-di-tá-vel tudo e todos.


De Marta Cardoso a 4 de Novembro de 2010 às 12:12
Cara Carla,
Espero que a crise traga poupança e honestidade inesperadas, porque penso ser esta a única esperança que nos resta.
Quanto ao controlo do despesismo nas campanhas eleitorais, começou por ser uma espécie de statment que se tem de fazer em tempos de crise, para passar a ser um jogo altamente moralista: qual dos dois candidatos é o mais bem formado? Penso que, como sempre, a pessoa que transformou um exemplo relativamente escorreito num assunto ridicularizável , foi o nosso amigo Manuel Alegre. Por estas e por outras, não terá o meu voto.


De José Henriques a 4 de Novembro de 2010 às 12:45
Creio que chegámos a um ponto em que até o simples acto de votar parece ser uma atitude despesista, quanto mais as campanhas políticas... Infelizmente, é cada vez mais indiferente. O descrédito nos nossos políticos é total, e não creio que a poupança nas campanhas vá trazer mais credibilidade ou esperança. Resta-nos a nossa autogestão. Mas que ao menos essa seja poupada e honesta. Pronto, pelo menos honesta.


De Diego a 4 de Novembro de 2010 às 13:04
O que deveria ser uma atitude de bom senso numa altura em que (quase) todos têm de apertar o cinto, esta troca de palavras para ver quem vai poupar mais e quem já poupou mais tornou-se em mais uma arma da campanha política que só denigre os intervenientes.
Alegre, ao estimar as suas despesas de campanha em 1.6 milhões de euros, denuncia um aumento de praticamente o dobro do que gastou nas últimas eleições e revela uma hipocrisia e incoerência gritante.


De Luirantri a 4 de Novembro de 2010 às 15:03
Existem dois aspectos fundamentais que ocorreem frequentemente com os nossos políticos, na nossa vida política, e que me incomodam muito. São eles:

1. A carência Ideológica que, ignorando um projecto político concreto, acaba por descaracterizar a maioria das iníciativas económicas e sociais, deixando o país à deriva, sem projecto nem estratégia.
A meu ver, o pragmatismo só pode interessar em questões muito concretas e de ocorrência inesperada. Quando o pragmatismo se torna constante, e regra em vez de excepção, acabamos na “Corda-Bamba;

2. A demissão dos políticos, quando fogem a pronunciar-se sobre os problemas, ora porque receiam dizer asneiras, ora porque não se querem comprometer, o que numa república é aberrante e inaceitável. Quem quer privacidade, acima de tudo, não deve emiscuír-se na vida pública.

Quem prefere a gestão hábil, ou inábil, do silêncio não está a ser republicano. E nem sequer se percebe porque quer ocupar um cargo público.

Não gosto de quem nunca se quer pronunciar e tem a mania que nunca se engana e raramente tem dúvidas. Por isso prefiro o Manuel Alegre, que além de não fugir às questões, já o conheço desde os tempos de Salazar, quando denunciava o despotismo do regime na Rádio Alger, numa emissão clandestina, em onda curta, por volta das 2,00h. E num tempo em que cada vez mais cada político parece vestir a pele errada, este eu sei que lutou pela dignidade de todos nós.


De Oscar Carvalho a 5 de Novembro de 2010 às 10:57
Oh como sou ignorante!
Leio The Economist e o Financial Times. E também O Expresso. Oiço telejornais portugueses, a SKY NEWS e a CNN. E afinal para nada!
A Carla abriu-me hoje os olhos. Afinal a Manuela Ferreira Leite é capaz de salvar a Pátria!
(Para seu descanso não voto PS)


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