Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010
Rádio Blog - Protesto contra a violência

 

 

 

 

Este fim-de-semana relemos as opiniões sobre os portugueses ao volante, a partir da crónica de Carla Hilário Quevedo, publicada aqui em parceria com o jornal Metro.

 

Com Carla Hilário Quevedo e Antonieta Lopes da Costa

6ªf, 26 de Novembro- 10h35/19h35

Domingo, 28 de Novembro- 18h35

 

Novo tema:

 

A propósito do Dia Internacional Contra a Violência contra as Mulheres um grupo de homens de Setúbal prometeu tapar as estátuas femininas no centro histórico da cidade. Segundo o presidente da Associação Homens Contra a Violência, José Manuel Palma, a acção simbólica de tapar as estátuas serviria como uma chamada de atenção para «a cultura desculpabilizante da violência nas relações íntimas». Imaginei logo que as estátuas representariam figuras femininas sem roupa daí a necessidade de as tapar. Mas não conheço as referidas estátuas em Setúbal e não percebi a relação entre as vítimas da violência doméstica e o acto de tapar as figuras. Serem de mulheres parecia ser o que movia este grupo de cidadãos talvez bem-intencionado mas pouco eficaz. Da acção de protesto contra a violência de género fazia ainda parte a leitura de alguns textos certamente escolhidos a dedo para a ocasião. Não pondo em causa a realização destas actividades de rua, como leitora de jornais, potencial transeunte de passagem por Setúbal e, porque não, como mulher, exijo mais cuidado com o modo como estas questões são tratadas. Exijo mais qualidade no protesto, que é sério e sobre um tema grave. Morreram este ano ainda mais mulheres às mãos daqueles com que partilhavam a sua intimidade. Apesar de a violência doméstica ser um crime público, a realidade continua a desafiar a lei. Em suma, o problema precisa de soluções eficazes e não de acções simbólicas. Se é certo que a participação de homens em campanhas contra a violência doméstica é importante, não deixa de ser menos relevante o modo como se manifestam. As estátuas tapadas podem representar a morte de mulheres mas a acção abre espaço a interpretações erradas. Ou a uma simples associação de ideias. Enquanto em Setúbal as estátuas são tapadas, Silvio Berlusconi, em Itália, manda restaurar o pénis e as mãos das estátuas de Marte e Vénus que tinha no seu gabinete. Um simbolismo demasiado simbólico nunca é útil ao protesto que se pretende inequívoco. O que pensa desta acção simbólica? A violência doméstica é pouco levada a sério no nosso país?

 

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publicado por jazza-me
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Comentários:
De Luis Barneto a 26 de Novembro de 2010 às 18:26
Como não me preocupo com este problema da violência (doméstica ou não) uma vez por ano, sinto-me capaz de contribuir, apesar de ir fugir um pouco à questão da acção de protesto referida, mas mantendo-me em todas as acções de protesto em assuntos para os quais as acções necessarias não passam de todo pelo protesto.
Aviso que este comentário é polémico, principalmente por fugir a certos estereotipos.
Felizmente, morreram todas essas mulheres. E antes que seja mal entendido, passo a explicar: No passado, as mulheres não morriam às mãos dos maridos, porque simplesmente se submetiam a tudo o que o marido se lembrasse.
Existiam muitos mais casos de violência domestica no passado, posto que eramos todos mais "atrasados" no que aos direitos dos seres humanos incluirem as mulheres diz respeito, e havia quase uma pressão social sobre os homens para mandar, chefiar, e sobre as mulheres para acatar.
As mortes, quando aumentam numa relação carrasco-vitima, querem habitualmente dizer rebelião. E ninguem pode ficar triste com perceber que cada vez menos as mulheres querem fugir ou resistir a essa vida de humilhação, posto que todas as campanhas apontam para tal (e isto é outra coisa que quero dizer - as campanhas sao mais que suficientes! Estamos bem servidos, nessa matéria, e a unica consequência possivel dessas campanhas - Denunciar, envolver a sociedade, despertar para o direito a ser feliz, das mulheres nessas circunstâncias - tem sido acho eu atingida).
Só que... se eu entrar num país e convencer um povo a rebeliar-se contra o seu tirano e o seu exercito, e não lhe fornecer meios para tal... Estou a sentenciá-los! Se, como tem acontecido em Portugal, as mulheres denunciam, ou alguem por elas, os casos de violencia domestica, e nenhuma acção de jeito é tomada para a proteger da continuação da situação... Como posso querer menos violencia?
Não podemos (eu sei que isto é polemico) irradiar a violencia. A violencia é inerente ao ser humano, na demonstração de indignação, na luta pela liberdade, na simples irritação, na procura de lugar para o carro, e também nas acções de maldade, de que aqui falamos.
E o fulano que bate na mulher não vai parar de o fazer porque há uma campanha, porque todos sabem que o faz, porque foi preso umas horas, ou porque a mulher não quer! Vai parar de bater porque ela não esta ao alcance ou não deixa, podendo ser a sociedade a coloca-la fora do alcance, ou a impedi-lo.
Mas seguramente isto será facil de perceber: Se tiver um stress no transito e sair para bater no vizinho, se lhe bater, vou pra casa satisfeito. Se ele me bater... Se calhar vou até onde for preciso para o parar, matando-o possivelmente. O mesmo com a violencia domestica, que é, quer queiramos quer não, um problema de mau carácter sustentado na necessidade de humilhar e dominar.
Uns casos existirão em que o energumeno irá encolher os ombros, quando perceber que já não consegue fazer gato sapato da mulher.
Mas, talvez pelo meu extenso percurso a lidar e a estudar a violencia e a capacidade de cidadãos normais reduzirem o seu papel de vitimas perante os predadores da espécie (entre outros aspectos, sou instrutor de defesa pessoal), apostaria que é exactamente a libertação da mulher que origina nesses tresloucados o desejo de as matar. E quem o faz, convenhamos, pouco quer saber das campanhas. Não é por acaso que muitos desses casos vimos a saber que são protagonizados por ex-namorados, ex-maridos, ex qualquer coisa, ou em processos que apontam para uma tentativa da mulher de acabar com maus tratos constantes.
Resumindo, é de uma grande irresponsabilidade pedir às mulheres que se rebelem perante esses energumenos, e não as apoiar, ou através de casas de protecção, de acções policiais, e nomeadamente de preparação para resistirem, se a coisa chegar ao ponto em que estão sozinhas contra um louco. Morreram muitas, é certo. Mas também as estatisticas dizem que houve mais de 30 tentativas de homicidio, o que mostra duas coisas: Mais gente se rebela, e é possivel sobreviver. Se estas mulheres tivessem algum contacto com defesa pessoal, se calhar o numero de tentativas ultrapassava o numero de concretizações. O resto, é só a sociedade a achar que campanhas mudam carácteres, e que um "não" é capaz de parar um comboio em andamento.


De Paula da Costa a 29 de Novembro de 2010 às 16:08
É pena que a luta contra a violência de género não seja uma luta de todos os dias – e muitas vezes, apenas, é recordado uma vez por ano. De 2008 até agora foram assassinadas 113 mulheres neste nosso cantinho de brandos costumes… É um número sem rosto, preocupante e de agonia no fundo da alma de tod@s nós.
A ironia, ou hipocrisia, é que se tivesse havido 113 assaltos a alguma joalharia ou banco era manchete em todos os jornais. São mulheres que foram assassinadas, a maior parte delas pelos seus companheiros ou ex-companheiros – têm rosto e nome. São mulheres que eram esposas, mães, filhas, tias, netas.
Temos que reforçar o nosso trabalho de dia a dia contra este atentado aos direitos humanos, em particular aos direitos da Mulher.
O Bloco de Esquerda do Barreiro em parceria com a UMAR e a RUMO-Gabinete de Apoio à Vítima fizeram um debate e um Círculo no dia 27 de Novembro nos Penhicheiros /Barreiro com o tema “Contra a violência doméstica – Romper o Silêncio”. Estiveram presentes dezenas de pessoas – numa tarde de gelar o corpo. Seguem os links de dois pequenos filmes que fizemos:

http:/ www.youtube.com /watch?v=xx4qn7Kwx2Q

http:/ www.youtube.com /watch?v=7ZKKRSzvy8o&feature=BF&list=UL1h-bDIkRtBI&index=2

Que todos os dias a nossa indignação se levante e que cada vez mais exista processos legais, e não só, para proteger as mulheres e as crianças que estão em risco de violência doméstica.

Paula da Costa-Barreiro


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