Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011
Rádio Blogue: linguagem e presidenciais

 

Em final de semana revemos as opiniões sobre homofobia e liberdade de expressão...

 

Com Carla Hilário Quevedo e Antonieta Lopes da Costa

6ªf, 21 de Janeiro- 10.35/ 19.35

Domingo, 23 de Janeiro- 18.35

 

Nos próximos dias queremos saber o que pensa da forma com os candidatos às eleições presidenciais se expressaram durante a campanha. Como viu a campanha? Pode deixar o seu comentário, se preferir, através do 21. 351. 05. 90 em mensagem gravada. A crónica de Carla Hilário Quevedo é publicada aqui em parceria com o jornal Metro.

 

Linguagem e presidenciais

A campanha para as presidenciais terminou com a frase surpreendente de Fernando Nobre num comício em Coimbra: «Só é possível demoverem-me da minha intenção de uma maneira, e nessa altura ousem fazê-lo, e vocês verão o que o povo português fará: dêem-me um tiro na cabeça, porque sem um tiro na cabeça eu vou para Belém». Num momento de fado, tango e falta de jeito, o candidato parece ter esquecido que não basta não levar um tiro para ir para Belém: é preciso ganhar as eleições. É apenas a falta de vontade dos portugueses que impedirá Fernando Nobre de ser Presidente da República. No dia a seguir à declaração insólita, o candidato veio dizer que recebera telefonemas anónimos a ameaçá-lo, o que me obrigou a tentar perceber em que medida constituía uma ameaça e para quem. À falta de conclusões dignas, é melhor imaginar que Nobre terá tentado usar a carta forte da hipérbole, mas que o pouco talento para as figuras de retórica o atraiçoou. A «linguagem bélica» aplicada ao discurso político não foi, no entanto, exclusiva deste candidato. Defensor Moura declarou «guerra à corrupção», atitude tão nobre quanto oca. Cavaco Silva misturou imagem gastronómica com cenário de devastação e disse ter «pouco apetite» para usar a «bomba atómica» da dissolução da Assembleia, o que me fez respirar de alívio, porque a bomba atómica é má. José Manuel Coelho, o «coelhinho lindo», deputado regional madeirense da Nova Democracia, preferiu a metáfora doméstica e apelou à necessidade de dar uma «vassourada na Justiça». Francisco Lopes optou pela imagem aquática e alertou para o «afundamento do país». Já o caçador-poeta Manuel Alegre queixou-se de que «a democracia está muito amputada», o que torna tudo «muito» definitivo. Como viu a campanha para as presidenciais?



publicado por jazza-me
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Comentários:
De Luisa Aveiro a 21 de Janeiro de 2011 às 12:12
As elites nacionais vão receber o meu cartão vermelho da mão do candidato José Manuel COELHO!

Ainda acredito numa 2ª volta que depende dos portugueses e não das empresas de sondagens...


De Juan Goldín a 22 de Janeiro de 2011 às 14:21
No meu entender o prémio "Piores frases eleitorais" vai sem dúvida para o Cavaco.
Passo a enumerar.

1- "Eu era um mísero professor..."
O nosso actual e possível futuro Presidente da República considera que os professores são, portanto, "míseros" e que ensinar é uma profissão míseravel.

2- “No próximo domingo vai ser escolhido aquele que deve estar muito atento às injustiças na distribuição dos sacrifícios que, nesta fase de crise, são pedidos aos portugueses. Como é o caso dos servidores da função pública, que merecem da nossa parte o maior respeito e consideração”. Esqueceu completamente que foi ele mais que ninguem quase ordenar a aprovação deste nefasto orçamento de estado.

3- “Não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o país e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro”. Para o mísero professor, gastar dinheiro para fortalecer a Democracia é um acto errado. Esta frase lembra aquela pérola da Manuela Ferreira Leite: "Não sei se, a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois, então, venha a democracia".

4- No fecho da campanha, citou o filósofo grego para dizer que quem governa “devem ser os melhores”. Se Aristóteles chegou a afirmar que a aristocracia é o poder confiado aos melhores cidadãos, sem distinções de nascimento ou riqueza. Todos sabemos que a partir da Idade Média, a aristocracia deixa de ser, terminologicamente, uma forma de poder para indicar um estado diverso da nobreza e do clero, que sobressaía pelos altos postos militares e por privilégios transmitidos hereditariamente, perdendo assim o seu sentido inicial. Hoje o termo é sinônimo de alta sociedade.

Por outras palavras, parece que o seu objectivo é mudar a Democracia pela Aristocracia.


De Juan Goldín a 22 de Janeiro de 2011 às 15:03
Esqueci dizer que não existe palavra mais pirosa que "apetite", só comparável a comer bolo rei com a boca aberta.


De Andrea Oliveira Santos a 24 de Janeiro de 2011 às 12:47
Esta campanha esta de acordo com o momento político- Mau, muito Mau! não me venham dizer que os portugueses não têm ideias e que não querem avançar. No dia a dia nota-se a vontade de lutar e fazer mais e melhor. Porém, quando toca à cidadania e a dar a cara por opções éticas e políticas (reparem que Não digo partidárias...), aí sim, há muito a fazer. Infelizmente não assistimos a ideias novas e mesmo o Dr. Fernando Nobre, apesar da "pedrada no charco" inicial, não ousou ou não quis ir mais longe! falta a vontade do bem comum, a ideia do serviço público e não apenas do cargo bem remunerado e do "poder" que essa nomeação encerra. tenho para mim que a vontade de que falei atrás e as boas ideias, a dinâmica e o tão em voga empreendedorismo, vacila perante a constante criação de obstáculos e derrube nos desafios. Sejamos sérios, Novos políticos precisam-se, mas não os de "carreira" e sim aqueles que, fazendo um interregno nas suas vidas profissionais, não anseiam depois pelos aplausos, mas sim pelo regressar à sua vida, às suas profissões, à sociedade civil. Precisamos de gente de bem, melhores pessoas que queiram, não ser politicos, mas sim instrumentos de construção. O combate à corrupção deve ser secundado pelo combate ao protagonismo gratuito. Apesar do desabafo, acredito no País, na vontade de alguns em elevar a voz e assumir riscos. Somos bons e apesar da classe dirigente, votar, não desistir, assumir ideias. E já agora, antes de fazerem comentário bélicos, Senhores candidatos... leiam o orginal de Sun Tzu. Talvez apredam alguma coisa e parem com os disparates retóricos! É que entre os Portugueses, ainda há (e muitos), os que pensam pela própria cabeça e não pelos interesses e boys partidários! Acreditem que pensar e continuar acreditando no melhor, é, de facto, o verdadeiro combate!


De Luís Dias a 25 de Janeiro de 2011 às 00:08
É tudo gente muito violenta com as palavras mas, como diria o Jay-Z, "wouldn't bust a grape in a fruit fight".

É engraçado que Manuel Alegre tenha o discurso do marialva corajoso, mas seja o mais mariquinhas de todos os candidatos, sempre no seu lugar cómodo de histórico socialista incomodado.
Cavaco, com o discurso da honestidade, é o mais desonesto. Ainda não sei se é pior que o tenha sido por descuido, se com dolo.
Nobre tem o discurso do anti-político, mas é o mais demagógico de todos.
E Coelho tenha o discurso do doidinho e, possivelmente, seja o mais lúcido da campanha.
Sobre o Lopes, é impressionante que a palavra democracia saia tantas vezes da boca de um comunista.
Enfim, curiosidades. Pelo sim, pelo não, não votei. E não foi pelo cartão do cidadão. Foi por não querer.
E a abstenção ganhou!


De Pedro Guerra Maio a 26 de Janeiro de 2011 às 16:34
Os entusiasmos levam ao exagero (hipérboles) e estas, por sua vez, têm o condão de excitar as mentes desiquilibradas. Fernando Nobre, uma ameaça? Um homem com um passado de entrega aos mais necessitados, um dos raros médicos que aplica na prática o juramento de hipócrates, honesto, impoluto, e ainda por cima apolítico, pode ser uma ameaça para todos os que ganham com a dor alheia, os desonestos, os egoístas e os corruptos que grassam neste país como uma praga.
"Bomba atómica" é um daqueles termos que o bom senso aconselha a deixar de fora da peleja política. "Dissolução" é uma medida extrema aplicável quando está em risco o regular funcionamento das instituições, mas não extermina ninguém nem contamina o ambiente.
Vi esta como uma campanha "alegre", em que o "senhor Silva" resistiu à cruzada de um "nobre", ao humor caústico de um "coelho", aos ataques de um "defensor" e à lógica de um Lopes. E lá ganhou.


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