Sexta-feira, 11 de Março de 2011
Rádio Blogue: geração à rasca

(Fotos daqui e daqui)

 

No Rádio Blogue deste final de semana revemos opiniões diversas sobre as recentes afirmações de John Galliano.

 

Com Carla Hilário Quevedo e Antonieta Lopes da Costa

6ªf, 11 de Março- 11.35/ 17.40

Domingo, 13 de Março- 18.35

 

Nos próximos dias queremos saber o que pensa da tão falada "geração à rasca". As queixas da geração à rasca são justas? Como se soluciona esta insatisfação generalizada? O que pensa deste protesto? Deixe a sua opinião, se preferir, através do 21.351.05.90, até às 15h da próxima 5ªf. A crónica de Carla Hilário Quevedo é publicada aqui em parceria com o jornal Metro.

 

Geração à rasca

É possível que o protesto geração à rasca tenha surgido no Facebook, de modo espontâneo, pois parece ser o seguimento do «debate» suscitado pelo tema dos Deolinda. O protesto surge porque os jovens em Portugal assumem ter qualificações a mais para os trabalhos precários e mal pagos que os esperam, quando esperam. Podemos ler no manifesto da geração à rasca: «Somos a geração com o maior nível de formação na história do país». Não estando certa da veracidade da afirmação, a questão do estudo motiva a indignação. Criou-se, no meu entender, uma enorme expectativa de que a licenciatura, o mestrado, etc. resolviam o problema do trabalho seguro e bem remunerado. Como se tivesse sido feita uma promessa que não podia ser cumprida. A expectativa foi alimentada numa geração que investiu na educação dos filhos. Esta geração estava certa. Não tenhamos dúvidas de que o conhecimento é a solução dos problemas do país. O problema é perceber como o aplicamos numa sociedade que ainda não viu que Portugal tem de mudar a sua maneira de pensar e funcionar se quiser sobreviver. O mercado de trabalho não está preparado para receber, por exemplo, alunos de História ou Filosofia. Mas estas pessoas têm um conhecimento que pode ser útil às empresas. O aluno universitário deve, então, perceber o que pretende fazer com o seu curso. A dificuldade de encontrar um trabalho na respectiva área de estudo não deve impedir ninguém de ter a possibilidade de criar o seu próprio emprego no que estudou. Também não deve impedir ninguém de aplicar os seus conhecimentos num trabalho que nada tem que ver com o seu curso. As queixas da geração à rasca são justas? Como se soluciona esta insatisfação generalizada? O que pensa deste protesto?



publicado por jazza-me
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Comentários:
De António Barbieri a 12 de Março de 2011 às 02:00
1. A Geração à Rasca tem razão em protestar contra a geração anterior que, com a "bandeira" da solidariedade, gastou o dinheiro que tinha e o que não tinha, vivendo muito acima das suas possibilidades "roubando" o dinheiro que legitimamente pertenceria à Geração à Rasca. Portanto, a geração anterior, socialista, foi tudo menos solidária. Foi é, decerto, bastante egoísta. É sempre assim. A esquerda é, por natureza, esbanjadora, empobrecendo os países. Um país que vota sempre à esquerda, como Portugal, acaba por empobrecer as gerações vindouras. A Geração à Rasca é a vítima da insistência nesse sentido de voto. É a velha história da cigarra e da formiga. A cigarra é a esquerda e a formiga é a direita. Um povo que pensa mais no curto prazo do que no longo prazo, como é tipicamente o português, tende a votar na cigarra, prejudicando as gerações seguintes.
2. A Geração à rasca não tem razão para protestar por todos os restantes motivos. Uma geração que herda a situação actual deixada pelos governos que nos governaram desde o 25 de Abril, deve procurar encarar a realidade e tentar inverter a situação. Deve fazer algo pelo país e não esperar que o país faça tudo por ela. É a célebre frase de Kenedy. É preciso voltar a enriquecer o país. Uma manifestação só com o intuito de protestar e de exigir, é autista não conduz a nada porque, infelizmente, o país já não tem nada para dar. Está falido. É a esta geração que compete criar as soluções para dar a volta. Esta geração em lugar de exigir empregos, empregará melhor as suas energias a tentar criar os seus postos de trabalho, a ser empreendedora, a ser inteligente e dinâmica e a trabalhar pelo país que nunca precisou tanto dela. Se assim não for, será tanto uma Geração à Rasca, como uma Geração Rasca, como foi a dos seus pais que nos têm governado nas últimas décadas, com a desvantagem de que não terá dinheiro para gastar como teve a geração anterior. O país precisa agora, de uma Geração Grande, como a dos nossos avós. A insistência na esquerda ou, pior, a sua radicalização, que parece estar por detrás deste protesto, conduzirá à continuação do empobrecimento generalizado do país e das famílias portuguesas. Agora, cada um faz o que quiser. As escolhas são só nossas. São os portugueses que escolhem aquilo que vão tendo e o que terão.


De luis martins a 12 de Março de 2011 às 19:09
"Mais uma geração à rasca" seria talvez o melhor titulo para a canção dos Deolinda.
Por uma razão ou por outra todas as gerações têm "andado à rasca" porque a insatisfação é grande sobre o prometido desenvolvimento pelas gerações anteriores.
Nem sequer o facto de serem agora os licenciados e já não os analfabetos a reclamar é original porque em 1968 já se reclamava e Karl Marx tanto quanto se sabe não era um analfabeto vindo da classe operária...
Mas o que faz a geração anterior, a dos paizinhos que criaram a situação actual pela ausência ou pelo voto politico?
Dizem que criaram uns meninos mimados e que quem tem bolsa de investigação é mal agradecido e não tem direito a reclamar porque isso é um direito adquirido pelos pobres...e se vira moda os ricos e os remediados começarem a reclamar sabe deus onde isto irá parar. E o que podem fazer os pobres pobres se também lhes retirarem o exclusivo de reclamar?
Pois é, agora os filhos que estudaram, a quem os pais tudo deram e a tudo se sacrificaram para que tivessem o que eles não puderam ter foram os mesmos que não evoluíram e que agora são directores de recursos humanos nas empresas e empresários e exploram os seus filhos limitando-lhes o desenvolvimento e a participação no mercado de trabalho...
São os pais que agora depois de tudo prometerem e exigirem em nome de um futuro melhor aos seus filhos agora não os (re )conhecem nas reivindicações nem deixam participar na inovação das suas empresas, ter direito ao emprego estável, ter direito a utilizar os conhecimentos adquiridos, ter direito a uma remuneração ajustada...
Curioso? Talvez não.
Patético? Seguramente


De Maria Seabra a 14 de Março de 2011 às 16:39
O problema desta geração não é a falta de trabalho da sua área de formação . Tirei o meu curso e neste momento trabalho numa área completamente diferente e não é disso que me queixo, o que protesto é a precariedade. Os estágios não remunerados que levam as empresas a terem um posto de trabalho sempre preenchido e sem despesas e o regime dos recibos verdes que leva cidadão a descontar para segurança social ( como os por conta de outrem) e sem os mesmos direitos de protecção social. Assim esta geração tem razão para protestar por melhores condições de trabalho seja ele qual for.


De Pedro Cristo a 15 de Março de 2011 às 11:27
Em 1928 havia um terço da população mundial actual. É verdade que também haveria muito menos trabalho e emprego. Mas a realidade mostra que foram geradas muitas actividades, para empregar esta gente toda, que mais não são do que formas de impingir coisas fúteis uns aos outros e enriquecer um terceiro. Na verdade parece inútil estudar Filosofia, História, Sociologia etc quando 90% das ofertas de trabalho são para comercial, vulgo vendedor, daqueles que em plena crise tentam convencer as pessoas que é melhor pagar 60€ em vez de 39€ por um serviço de televisão e Internet. Era e sou único colaborador não licenciado numa empresa que com as oscilações de mercado já variou entre 20 e 4 colaboradores sendo que nunca perdi o meu trabalho pelo facto de, mesmo não sendo licenciado, conseguir realizar várias tarefas dentro da empresa (poupando à empresa milhares de € na contratação de serviços externos) ao contrário dos meus colegas que apenas sabem fazer aquilo em que estudaram e alguns nem isso e isto é a constatação da realidade e não uma critica, até porque estou a terminar a minha licenciatura, uma vez que o conhecimento fascina-me. Os tempos mudaram e os cursos já não abrem apenas as boas portas profissionais porque há mais gente a competir.


De Velho ouvinte a 15 de Março de 2011 às 18:18
Estou à rasca porque vi há tempos noticiado que a Radio Europa tinha sido comprada, e logo por uma seita socretina.

É uma das poucas estações que costumo ouvir, e é de longe a que mais sintonizo, por via do jazz, de que sou fã.

Sei que o que comentei não tem que ver com o tema, e peço por isso desculpa, mas... será que vai acabar mesmo?

(Compreendo perfeitamente que este comentário nem sequer seja referido, mas talvez fosse possível informarem os ouvintes do ponto da situação - isto no caso de o não terem eventualmente já feito, mas eu sou ouvinte assíduo e nunca reparei).

Esperando que não acabe, e que, quando muito, haja, sei lá, uma mudança de frequência ou coisa assim, o meu obrigado...


De Pedro Guerra Maio a 17 de Março de 2011 às 14:14
A geração "à rasca" tem razões para protestar, mas não as que se prendem como uma garantia de colocação compatível para o grau académico obtido. Pode protestar por ter herdado da geração anterior as consequências da ilusão do dinheiro barato e do crédito ilimitado, um país à beira da bancarrota. Pode insurgir-se contra a má aplicação dos fundos europeus em betão e alcatrão ou contra a destruição das estruturas produtivas na pesca e na agricultura. Pode lamentar a inexistência de uma elite que saiba governar o país. Pode criticar a falta de visão estratégica dos nossos governantes das duas últimas décadas. Não pode querer o mundo à espera de os ver brilhar com as suas elevadas qualificações, o tal mundo que muda tanto em apenas quinze dias!
As debilidades desta geração residem na quase total ausência de capacidade empreendedora, nos vícios típicos de "mamones" (adultos a cargo dos pais), num menor domínio das línguas que a geração precedente (português incluído).
Um amigo professor de EVT contou-me que na Escola dele quis fazer uma reunião com os colegas de disciplina em risco de desemprego, ao tentar combinar data e hora verificou que quem não tinha disponibilidade eram precisamente os que estavam "à rasca"!


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