Sexta-feira, 25 de Março de 2011
Rádio Blog - Crise Política

 

 

Com Carla Hilário Quevedo e Antonieta Lopes da Costa

6ª, 25 de Março - 11h35/ 17h40

Domingo, 27 de Março - 18h35

 

 

Fim da semana, tempo para escutar os comentários em relação ao povo japonês.

Nos próximos dias queremos saber o que pensa da crise política instalada em Portugal. Deixe a sua opinião, se preferir, através do 21.351.05.90, até às 15h da próxima 5ª. A crónica de Carla Hilário Quevedo é publicada aqui em parceria com o jornal Metro.

 

 

Crise política

 

Nos últimos dias, assistimos ao fim do relacionamento tenso entre o Primeiro-ministro e o Presidente da República. Seguindo à letra uma regra formal, que dizia ser um acto próprio da governação o novo pacote de cortes na despesa pública, Sócrates não avisou Cavaco do PEC IV. A gota de água da falta de aviso acompanhou o anúncio de novas medidas de austeridade, ficando ambos associados à crise política que acabou por levar à demissão do Primeiro-ministro e à possibilidade de nova chamada a eleições. Não ter avisado o Presidente das novas medidas parece um pormenor no meio da situação difícil que o País atravessa. Este detalhe foi, no entanto, analisado por comentadores como uma prova da intenção de Sócrates de provocar uma crise que conduzisse à queda do Governo: uma oportunidade para o Primeiro-ministro demissionário surgir reforçado numa eventual vitória nas ditas novas eleições. Isto quer dizer, em suma, que Sócrates planeou uma jogada com base numa expectativa de vitória eleitoral que está longe de se concretizar. O que pode Sócrates prometer na campanha? O PEC V? Entender o esquecimento do Primeiro-ministro demitente como um plano elaborado com vista a um reforço de poder é um exercício de especulação. Entendo que Sócrates agiu de acordo com o que é. Como acontece, aliás, com a maioria das pessoas adultas. Isto significa que o que parece precipitado ou maquiavélico não é nada mais que uma pessoa no seu modo de funcionamento normal: fez as novas medidas por indicação de Merkel e quebrou um dever de cordialidade porque não se sente devedor de nada. A coerência de Sócrates é a desgraça de Portugal? O que pensa da presente crise política?

 



publicado por jazza-me
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Comentários:
De Augusto Oliveira a 27 de Março de 2011 às 21:36
Não creio que o Primeiro-ministro tenha quebrado o dever de cordialidade com a intenção de provocar uma crise que levasse a eleições antecipadas. Procuraria antes uma explicação do sucedido na pressão a que tem estado sujeito para manter uma imagem de confiança nas nossas capacidades, face à crise financeira mundial desde há três anos, à necessidade de conter e reduzir o défice, à pressão dos mercados e das instâncias europeias, à crise do petróleo, ao assédio constante dos media, à baixa política dos opositores políticos (como se viu no parlamento desde a falhada "moção de censura" do BE). O que o Eng. Sócrates não
terá previsto, após a sua declaração pública de que não teria condições para governar se o PEC 4 não fosse aprovado, foi que o ódio político de toda a oposição se concentraria em uníssono para aproveitar febrilmente a oportunidade de o derrubar a qualquer preço, pouco importando o sentido do ridículo, a incoerência e o interesse nacional. O caso da avaliação dos professores é outro exemplo paradigmático da loucura temporária dos partidos da oposição, impensável em condições "normais" de funcionamento parlamentar.
A "desgraça de Portugal" não é a coerência de Sócrates, mas antes a incúria dos portugueses: absentismo, oportunismo, economia paralela, facturação falsa, fuga aos impostos, esbanjamento dos bens sociais, endividamento sem limites, falta de estudo. Muitos exigem que se fale "verdade" aos portugueses. Eu pergunto: os portugueses não têm olhos na cara para ver a verdade no dia a dia, nos sinais exteriores de riqueza, na delapidação dos bens públicos, nos abusos de autarcas, empresas municipais, parcerias público-privadas, economia paralela, gestores públicos? Por acaso alguém se ocupou em explicar como o défice foi subindo em termos dos acrescidos benefícios sociais, na saúde e na educação?
Muito foi feito, muito há a fazer, mas não devemos estar sempre à espera que seja o Estado e o Governo a fazer tudo. Crise política? Acho que não temos tido outra coisa desde o 25 de Abril de 1974, mas não podemos atirar para outros a responsabilidade que nos cabe como cidadãos.


De Joao augusto a 31 de Março de 2011 às 10:23
O Primeiro ministro tem já por diversas vezes demonstrado uma ligeireza e mesmo um total desprezo no que toca ao relacionamento com outros órgãos de soberania quer seja a assembleia quer seja o presidente; isso é lamentável pois demonstra uma falta de espirito democrático, que pode ser sintomática de mais profundas e menos positivas atitudes de governação. Aos olhos da UE a oposição fez mal em não aprovar o PEC, mas que se saiba nós não votámos nos governantes alemães ou franceses pois não? Agora uma coisa é certa: nós temos os políticos que merecemos, Portugal exige muito pouco a quem o governa, vota-se e depois eles que façam o resto! não pode ser assim. Isto já para não falar do nível dos politicos, mas isso daria mais um comentário. Bom programa continuem, gosto muito de vos ouvir .


De Isabel Oliveira a 31 de Março de 2011 às 11:04
Eu vejo este primeiro ministro como uma espécie de resistente herói que não cai, nem deixa cair as suas convicções. Um homem muito corajoso ainda que por vezes conduzindo a cena politica por caminhos menos certos.É uma pessoa que tem o meu respeito, mais que não seja , pela sua capacidade de resistencia e de defesa das suas ideias. Acredito que Sócrates faz aquilo que verdadeiramente pensa ser o melhor para o país.


De Alex M a 31 de Março de 2011 às 13:42
A Carla coloca algumas questões muito interessantes. De facto nós teremos o primeiro ministro que merecemos. Alguns portugueses parecem estar cegos, surdos e mudos perante a situação do país e sobretudo pelo agravamento colossal das contas do Estado. Outros até afirmam nos programas de televisão que vão continuaar a votar no PS . Perante isto, nada a acrescentar a não ser boa sorte a todos. O último a saír fecha a porta e não se esqueça de desligar a luz..


De Pedro Guerra Maio a 31 de Março de 2011 às 14:50
Sócrates começou por se portar mal na posse do Presidente ao romper o protocolo. Depois esticou a corda até partir. Deliberado ou não, autêntico ou fingido, pouco importa. Enquanto o PSD apoiou as medidas de auteridade foi tornado responsável pelos efeitos das mesmas, veja-se o caso das SCUT. Quando deixou de as apoiar e se baseou no desrespeito socrático pelas instituições democráticas para chumbar o PEC 4 foi acusado de irresponsabilidade e de causar a descida no Rating de Portugal e a subida das taxas de juro da dívida pública. Ora as taxas têm subido continuamente porque os mercados não acreditam em Sócrates nem nas estatísticas oficiais, só os seus colegas europeus fingem achá-lo pessoa confiável.
Campanha? Sócrates já a iniciou. Não precisa de prometer nada porque sempre fez o contrário do que prometeu. Já está a culpabilizar o PSD pelos problemas do país quando é ele que governa há 6 anos e o PS há 16. Palavras para quê, é um "artista" português!
Sócrates não é como a maioria das pessoas adultas. A maioria dos portugueses não são arrogantes, fazem o que dizem e assumem os seus erros. Escondeu enquanto pôde o buraco do BPN e agora, forçado pelo Eurostat, vai ter de o meter nas contas de 2010, logo o défice subirá dos 7% para 9 ou 10%. E as agências de rating PIMBA! De quem é a culpa? Do PSD, claro.


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